A lei obriga o serviço de segurança municipal "a realizar visitas periódicas anualmente" nos estabelecimentos que recebem público, declarou o prefeito de Crans-Montana, Nicolas Féraud, durante uma coletiva de imprensa na estação alpina. Ele reconheceu a falta de recursos para verificar a conformidade dos 128 estabelecimentos públicos do município, destacando que apenas 40 foram inspecionados em 2025.
No bar Le Constellation, destruído pelo incêndio, foram realizadas inspeções em 2016, 2018 e 2019. Após essas vistorias, foram exigidos ajustes específicos para adequar as instalações às normas de prevenção contra incêndios, segundo o município. Os inspetores não apontaram problemas relacionados às instalações elétricas ou aos equipamentos de som.
No entanto, "os controles periódicos não foram realizados de 2020 a 2025" e "lamentamos profundamente isso", reconheceu Féraud. Ele acrescentou não saber por que as inspeções não foram feitas. "Estamos profundamente consternados, não temos resposta hoje", afirmou.
"A Justiça dirá qual foi a influência dessa falha na cadeia de causalidade que levou à tragédia", indicou ainda o município em comunicado. A prefeitura de Crans-Montana garante que "assumirá toda a responsabilidade determinada pela Justiça".
Questionado se pretende renunciar, o prefeito respondeu negativamente, repetindo várias vezes que "não se abandona um navio no meio da tempestade".
"Estamos todos extremamente tristes", declarou Féraud.
Proprietários franceses
O bar Le Constellation pertence desde 2015 a dois franceses, Jacques e Jessica Moretti. Desde sábado, eles são alvo de investigação e suspeitos de "homicídio culposo, lesões corporais e incêndio por negligência". Eles não foram colocados em prisão preventiva nem em regime domiciliar, o que causou estranhamento. A polícia alega que não há risco de fuga do casal.
O incêndio foi provocado, segundo a investigação, por velas decorativas colocadas em garrafas de champanhe que incendiaram o teto do subsolo do bar, revestido com espuma acústica. Os clientes, em sua maioria adolescentes e jovens adultos, ficaram presos pelas chamas.
A investigação deve determinar se essa espuma estava ou não em conformidade com as normas.
Vídeos divulgados na segunda-feira pela televisão suíça RTS mostram que não era a primeira vez que esse tipo de vela era usado no bar e que o perigo era conhecido. "Cuidado com a espuma!" Esse alerta foi feito há seis anos por um funcionário do bar durante a festa de Ano-Novo 2019-2020, segundo um desses vídeos.
O prefeito de Crans-Montana afirmou que o município nunca foi alertado sobre o perigo. "Gostaríamos que essas pessoas nos tivessem alertado. Teríamos agido imediatamente se soubéssemos de algo", disse.
"Vivi esta semana de forma extremamente difícil. Sei que carregarei esse fardo e a tristeza de todas essas famílias por toda a vida", concluiu, visivelmente abatido.
Reformas no bar
O proprietário do Constellation obteve em 2015 uma autorização para construir uma varanda e realizou ele mesmo obras internas "que não exigiam autorização", acrescentou o município.
Em setembro de 2025, um escritório externo especializado realizou um estudo acústico do Constellation e confirmou, segundo o município, "o cumprimento das normas contra ruído, sem apontar outros problemas".
Como resposta imediata à tragédia, a prefeitura anunciou duas medidas. A primeira é a contratação de uma empresa externa especializada para revisar a segurança e os materiais de todos os estabelecimentos da cidade. A segunda, mais significativa, é a proibição total do uso de artefatos pirotécnicos em locais fechados em todo o município.
A França abriu um inquérito para "acompanhar as famílias francesas nas investigações conduzidas pelas autoridades suíças". Nove dos 40 mortos no incêndio eram de nacionalidade francesa, incluindo vários menores, enquanto 23 franceses ficaram feridos.
A maioria das 40 vítimas eram adolescentes e jovens adultos.
Com AFP