O governo francês anunciou medidas para conter a crise na educação, incluindo a reformulação da plataforma Parcoursup, limites de alunos por turma e um investimento de € 4 bilhões. O ministro Philippe Baptiste defendeu a retomada das aulas e criticou os bloqueios, mantendo o diálogo aberto. Contudo, sindicatos e entidades estudantis consideraram as propostas insuficientes, viram as mudanças como um recuo da gestão Macron e convocaram novos protestos para os dias 31 de outubro e 5 de novembro.
Em entrevista à emissora France 2, Baptiste afirmou que os estudantes têm o direito de protestar e discordar, mas não de impedir o funcionamento das instituições de ensino. "Existe o direito de se manifestar, existe o direito de não estar de acordo, mas não existe o direito ao bloqueio. E eu acredito que exista também o direito de estudar", declarou.
Segundo o ministro, as atividades devem ser retomadas na próxima semana, ao mesmo tempo em que as negociações com sindicatos e entidades representativas de estudantes e secundaristas continuam.
O ministro argumentou que muitos jovens que ingressaram recentemente na universidade tiveram apenas quatro semanas de aula antes da paralisação. "Não é possível. É preciso voltar ao trabalho. Isso não significa que as negociações devam parar", afirmou.
Medidas para tentar conter a crise
Na segunda-feira, o governo apresentou uma série de medidas para responder à insatisfação de estudantes do ensino médio e superior. Entre elas está uma profunda reformulação da plataforma de acesso ao ensino superior Parcoursup, que deverá ser substituída em 2028. Antes disso, a ferramenta passará por mudanças já no próximo ano, com a promessa de mais transparência nos critérios de seleção e explicações aos candidatos que tiverem seus pedidos recusados.
Outras medidas incluem a redução gradual do número de alunos para, no máximo, 28 por turma no primeiro ano do ensino médio até 2028, a revisão dos horários escolares, a criação de novas vagas em liceus e cursos técnicos (BTS) e um plano de investimentos de € 4 bilhões para a renovação de escolas e universidades.
Philippe Baptiste afirmou que as propostas apresentadas pelo governo devem servir como ponto de partida para novas negociações. Ainda nesta terça-feira, os sindicatos da Educação serão recebidos pelo ministro da Educação, Édouard Geffray.
Estudantes consideram propostas insuficientes
Em análise publicada nesta terça-feira, o Le Monde avalia que as medidas anunciadas representam uma revisão de reformas educacionais implementadas nos governos de Emmanuel Macron, alvo de críticas há anos por parte de estudantes e profissionais da educação.
O jornal destaca que a reformulação do Parcoursup e a reavaliação da reforma do ensino médio configuram um reconhecimento das falhas apontadas pelos manifestantes. Apesar das concessões, organizações estudantis e sindicatos consideram as propostas insuficientes e prometem manter a pressão sobre o governo.
A frente sindical da juventude, que reúne entidades como a Fage, a Unef e a Union Étudiante, além de movimentos de secundaristas, convocou a continuidade da mobilização. Novas manifestações estão previstas para 31 de outubro e 5 de novembro.
RFI com agências