Milhares de manifestantes foram às ruas de Caracas para exigir a realização rápida de eleições presidenciais e o retorno da líder opositora María Corina Machado, atualmente exilada no Panamá. O ato resultou na detenção de sete pessoas pelas forças de segurança. A mobilização pressiona as negociações de transição política entre o governo interino e a oposição, mediadas pelos Estados Unidos, que concordam em realizar o pleito, mas ainda não estabeleceram um calendário eleitoral oficial para o país.
Milhares de pessoas participaram nesta quinta-feira (22) de uma passeata convocada pela oposição em Caracas para exigir a realização de eleições presidenciais e o retorno da líder opositora María Corina Machado, que está exilada no Panamá desde o fim de 2025.
Estudantes, militantes de diferentes partidos, sindicalistas e familiares de presos políticos se concentraram na Plaza Venezuela, na capital do país. Apesar dos diferentes perfis, os manifestantes compartilhavam uma reivindicação comum: a convocação de uma eleição presidencial o mais rapidamente possível.
Cartazes exibidos durante o ato traziam mensagens como "Eleições já, e desta vez não vão nos roubar" e "MCM Corajosa", em referência às iniciais de María Corina Machado, principal nome da oposição venezuelana e defensora de políticas econômicas liberais.
Um professor universitário ouvido pela correspondente da RFI Alice Campaignolle afirmou acreditar que a mudança política no país está próxima. Segundo ele, Machado continua sendo a principal referência da oposição.
"María Corina representa toda a nação. Ela venceu as primárias e recebeu naquele momento o apoio popular. Isso continua valendo hoje. É impossível deixá-la de lado", disse à reportagem.
Além da convocação de eleições, os manifestantes também cobraram o retorno da dirigente opositora. María Corina Machado teria tentado voltar à Venezuela em diferentes ocasiões, sem sucesso. As razões para isso permanecem pouco claras.
Na quinta-feira, havia grande expectativa de que ela aparecesse, exatamente três anos após sua vitória nas primárias da oposição, mas a líder opositora não retornou ao país.
A manifestação ocorre em meio às negociações entre o governo interino e a oposição sobre a transição política da Venezuela. Após uma terceira rodada de conversas concluída nesta semana, conduzida com forte participação dos Estados Unidos, ambos os lados reafirmaram a disposição de realizar eleições presidenciais, mas sem anunciar um calendário, o que mantém a pressão da oposição por uma definição sobre o pleito.
Prisões e impasse político
O partido de Machado, o Vente Venezuela, informou nas redes sociais que sete participantes do ato teriam sido detidos pelas forças de segurança. Segundo a legenda, não havia informações sobre o paradeiro dessas pessoas até o fim do dia.
O Vente Venezuela defende a realização de eleições presidenciais em 2027. Já a presidente interina, Delcy Rodríguez, prometeu convocar um novo pleito, mas, até o momento, não divulgou um cronograma oficial. As negociações entre representantes do governo e da oposição continuam em Caracas, sem definição sobre datas ou regras para a próxima disputa presidencial.