Governo e oposição venezuelanos negociam eleições sob pressão de Washington

O governo interino da Venezuela e a oposição reafirmaram na quarta-feira (21) a disposição de realizar eleições presidenciais no país, sob o auspício de Washington, afirmou a oposição ao término da terceira rodada de negociações.

22 out 2026 - 11h48
Resumo
Após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, o governo interino de Delcy Rodríguez e a oposição venezuelana negociam novas eleições presidenciais, estimadas entre o final de 2027 e início de 2028. Sob forte pressão de Washington, o diálogo busca restabelecer garantias democráticas e revisar a inabilitação política de líderes oposicionistas, como a Nobel da Paz María Corina Machado, visando a uma transição institucional no país.

Esse terceiro ciclo de negociações começou na semana passada, quando os Estados Unidos retiraram as sanções contra Jorge Rodríguez, principal negociador do governo e irmão da presidente interina, Delcy Rodríguez.

Apoiador da oposição carrega uma bandeira venezuelana durante uma manifestação em apoio à líder oposicionista María Corina Machado e pela realização de eleições livres, em Tocuyito, Venezuela, em 10 de outubro de 2026.
Apoiador da oposição carrega uma bandeira venezuelana durante uma manifestação em apoio à líder oposicionista María Corina Machado e pela realização de eleições livres, em Tocuyito, Venezuela, em 10 de outubro de 2026.
Foto: REUTERS - Juan Carlos Hernandez / RFI

As negociações começaram em agosto, após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar norte-americana em janeiro.

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Em uma coletiva de imprensa, Dinorah Figuera, chefe da delegação oposicionista, afirmou que a "vontade política" de ambas as partes "é que haja eleições neste país".

Ela indicou que, em conversas anteriores, o secretário de Estado Marco Rubio lhe disse que o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, quer "deixar um país democrático, um país que desfrute de instituições e um país que tenha (...) eleições" na Venezuela.

Na coletiva, Figuera não especificou uma data para a realização das eleições presidenciais, mas, em entrevista ao jornal El Nacional publicada na terça-feira, afirmou esperar "que seja pelo menos no final do próximo ano ou no início de 2028".

O partido de María Corina Machado, líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, pediu no fim de semana a realização de eleições presidenciais em 2027 e prevê realizar uma marcha na quinta-feira em várias cidades do país com essa reivindicação.

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O partido também exigiu a retirada imediata da inabilitação política de Machado, que a impediu de disputar a Presidência como candidata em 2024.

Uma ex-magistrada do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) afirmou à AFP, há algumas semanas, que foi obrigada a assinar, em 2023, a inabilitação política de Machado porque seus irmãos e sua cunhada haviam sido presos.

A mesa de diálogo também acordou revisar as leis para restabelecer as garantias dos partidos políticos e analisar o processo de inabilitação de opositores que foram impedidos de figurar nas cédulas eleitorais.

Maduro se declarou vencedor das eleições de julho de 2024, que lhe permitiram ser reeleito para um terceiro mandato, antes de ser capturado pelos Estados Unidos.

Seu mandato presidencial estava previsto para terminar em 2031.

Delcy Rodríguez, que assumiu a Presidência interina após a queda de Maduro e governa sob pressão de Washington, prometeu em setembro que haverá eleições, mas não indicou uma data.

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com AFP

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