Macron visitou o aeroporto militar de Pafos, no sudoeste da ilha mediterrânea, atingido por um drone logo após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irã, em 28 de fevereiro, para expressar seu apoio ao presidente cipriota, Nikos Christodoulides.
"Quando o Chipre é atacado, a Europa é atacada", afirmou Macron. "Não aceitaremos que nem mesmo a menor porção do território europeu, como o Chipre, seja exposta ao perigo", reforçou o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, que acompanhava a visita. Ele destacou que as "ações são estritamente defensivas, muito distantes de qualquer envolvimento militar".
Além da França, Itália e Espanha enviaram fragatas para a região.
Em seguida, Macron vistiou o porta-aviões francês Charles de Gaulle, que está atualmente ao largo da costa de Creta. O navio de guerra foi redirecionado, por ordem presidencial, para o Mediterrâneo Oriental no início do conflito.
O porta-aviões é o núcleo de um importante destacamento naval francês que inclui "oito fragatas" e "dois porta-helicópteros anfíbios". A ação abrange uma vasta área que engloba o Mediterrâneo Oriental, o Mar Vermelho e o Estreito de Ormuz, explicou Macron.
Operação europeia
O presidente também anunciou que a França contribuirá "a longo prazo" com "duas fragatas" para a Operação Aspides, lançada pela União Europeia em 2024 no Mar Vermelho, sob comando grego. Uma fragata francesa já participa da missão. Mitsotakis aproveitou para convidar seus "colegas europeus" a reforçarem a operação com mais meios navais.
A União Europeia também manifestou disposição para "adaptar e reforçar ainda mais" suas missões de proteção marítima, segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, após uma videoconferência com vários líderes do Oriente Médio.
Macron acrescentou que está em formação uma "missão puramente defensiva e de apoio". A operação visa, "assim que possível, após o término da fase mais intensa do conflito, a escolta de navios porta-contêineres e petroleiros" e reabertura gradual do Estreito de Ormuz. Segundo ele, isso é "essencial para o comércio internacional, mas também para o fluxo de gás e petróleo", já que o bloqueio do estreito provocou uma forte alta nos preços nos últimos dias.
O presidente francês garantiu que prepara essa missão para ser "estritamente pacífica", em parceria com países "europeus e não europeus". Entre os parceiros potenciais, mencionou negociações com a Índia e outras nações asiáticas afetadas pela crise.
Reunião do G7 sobre energia
A França, que preside o G7 em 2026, organiza uma reunião extraordinária de ministros de Energia nesta terça-feira (10), à margem de uma cúpula em Paris sobre energia nuclear civil. "Quero mobilizar uma coordenação estreita no âmbito do G7 para melhor gerenciar as questões energéticas", afirmou Macron. Ele explicou que os países do grupo (França, Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Alemanha, Canadá e Japão) consideram, entre as "opções possíveis", recorrer às suas reservas estratégicas.
A breve visita ao Chipre também permitiu a Macron reafirmar outros objetivos, como a proteção dos países do Golfo alvo de ataques iranianos e a defesa dos cidadãos franceses na região. Depois de conversar com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu durante o voo para o Chipre, Macron reiterou o pedido para que o Hezbollah pró-Irã "cesse todos os ataques a partir do solo libanês".
"Israel deve então cessar suas operações militares e ataques contra o Líbano o mais rápido possível, para permitir que a soberania e a integridade territorial do Líbano sejam restauradas, e para que as Forças Armadas libanesas, único órgão legítimo, garantam a segurança do país", insistiu.
Com AFP