Uma baleia‑jubarte, rebocada por um navio desde a Alemanha, onde permanecia encalhada havia várias semanas, foi solta na manhã deste sábado no Mar do Norte, ao largo da Dinamarca, informou uma organização privada de resgate. O retorno ao mar encerra uma saga marcada por controvérsias, ameaças aos socorristas e intensa comoção pública.
A baleia deixou a embarcação com a qual havia sido transportada desde a baía de Wismar, na costa báltica alemã, confirmou Karin Walter‑Mommert, que participou das operações de salvamento.
O animal agora nada de forma autônoma e livre.
Ao sair da embarcação, a baleia expeliu ar e seguiu na "direção correta", devendo "depois acompanhar a costa norueguesa rumo ao Ártico", explicou Walter‑Mommert, uma empresária rica que financiou, nos últimos dias, uma última tentativa de resgate após várias operações fracassadas.
Uma saga que mobilizou a Alemanha por semanas
O retorno ao mar do animal, apelidado de "Timmy" ou "Hope", pode ser o capítulo final de uma saga que mantém a Alemanha em suspense desde o fim de março — e que gerou controvérsias de todos os lados.
Desde seu primeiro encalhe, no fim de março, em um banco de areia da costa alemã no mar Báltico, a baleia virou um fenômeno nacional.
Veículos de imprensa se deslocaram para a região para acompanhar cada etapa das tentativas de resgate.
O animal parecia debilitado, e especialistas consideravam que estava condenado, avaliando como inútil insistir após várias tentativas malsucedidas.
Nas últimas semanas, equipes de resgate relataram ter recebido ameaças de morte, e a polícia precisou manter curiosos afastados dia e noite.
A operação final: transportar a baleia até águas profundas
Um último plano — transportar a baleia em uma barcaça até águas mais profundas — foi apresentado por dois empresários ricos, entre eles Karin Walter‑Mommert, que fez fortuna nas corridas de cavalos.
A proposta foi tolerada pelas autoridades locais, apesar das críticas.
Dois veterinários que examinaram o mamífero, de cerca de doze metros, concluíram que ele era "transportável do ponto de vista médico".
Observada na manhã deste sábado, no momento em que voltou a nadar livremente, a baleia "apresenta pequenos ferimentos, provavelmente causados pelo transporte em mar agitado, mas apenas superficiais", segundo Walter‑Mommert.
A trajetória do animal agora é monitorada por meio de um transmissor GPS.
Com AFP