O ministro do Interior, Laurent Nuñez, classificou os atos como "em sua maioria pacíficos". No balanço nacional, foram registradas 15 prisões, das quais sete ocorreram em Paris.
Na capital, um contingente de 1,5 mil policiais foi mobilizado para garantir a segurança. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o protesto transcorreu "de maneira geral tranquila" e "sem incidentes graves".
Embora o 1º de Maio seja a principal data do sindicalismo francês, o movimento enfrenta um declínio histórico: hoje, apenas 7% dos trabalhadores são sindicalizados. Esse recuo é reflexo direto da desindustrialização do país, que reduziu o número de operários, base histórica do ativismo no setor. Com a perda de força política, as mobilizações têm atraído públicos cada vez menores.
Essa fragilidade motivou investidas políticas recentes. Em abril, o ex-primeiro-ministro e atual deputado, Gabriel Attal, propôs uma lei para facilitar a abertura do comércio no feriado. Diante da resistência das centrais, o governo recuou e limitou a permissão de trabalho apenas para padeiros e floristas, a partir de 2027. Além disso, garantiu que não haveria multas para estabelecimentos que funcionassem na data este ano.
Ataque simbólico
A flexibilização é vista pelos sindicatos como um ataque simbólico. "Não é o roubo do Dia do Trabalho que deveria estar na agenda parlamentar, mas sim um plano robusto de reajustes salariais", afirmou a líder da CGT, Sophie Binet, durante a marcha em Paris.
Em carta enviada hoje ao primeiro-ministro Sébastien Lecornu, Binet reivindicou um aumento de 5% no salário mínimo e a indexação dos salários à inflação.
O protesto ocorre em um contexto de pressão sobre direitos consolidados, com frequentes questionamentos à jornada de 35 horas e ao descanso dominical.
Ao todo, 320 manifestações foram planejadas para esta sexta-feira em todo o país.
RFI e AFP