Fim do Brexit? Premiê britânico relança debate sobre retorno do Reino Unido à UE

O primeiro-ministro trabalhista Andy Burnham voltou a mencionar, na quarta-feira (30), a possibilidade de um retorno do Reino Unido à União Europeia. O país deixou oficialmente o bloco em 2020, após o referendo de 23 de junho de 2016. O Brexit afetou a economia britânica, mas nenhum dirigente, até agora, havia retomado o debate em público.

30 set 2026 - 10h32
Resumo
O premiê britânico Andy Burnham reabriu o debate sobre a volta do Reino Unido à União Europeia ao afirmar que o Brexit trouxe mais prejuízos que benefícios. Em cúpula prevista para novembro, ele planeja propor cenários que vão da união aduaneira à reintegração total ao bloco. A iniciativa gerou fortes críticas da oposição conservadora e nacionalista, embora pesquisas apontem que 55% dos britânicos apoiam o retorno, em meio a receios internos de reacender antigas divisões políticas no país.

O premiê britânico Andy Burnham, que chegou a Downing Street em julho após a renúncia de Keir Starmer, retomou o assunto na terça-feira (29), durante o congresso do Partido Trabalhista, e afirmou que a saída da UE "causou mais prejuízos do que benefícios" ao Reino Unido.

No início de junho, antes de assumir o cargo de primeiro-ministro, ele disse esperar que o Reino Unido retornasse à UE "ainda em vida". O primeiro-ministro britânico diz que pretende apresentar "diferentes opções" para as relações de longo prazo com o bloco europeu durante uma cúpula bilateral prevista para antes do fim do ano.

Publicidade

Questionado na quarta-feira pela rádio BBC 4, ele citou vários cenários para efetivar essa reaproximação: manter a situação atual, retornar à união aduaneira, voltar ao mercado comum ou "ir até o fim", ou seja, voltar a fazer parte da União Europeia.

"Precisamos examinar o que é viável, bem como as vantagens e desvantagens" de cada uma dessas opções, afirmou o premiê. Segundo ele, "não é satisfatório deixar essa questão em suspenso", sem demonstrar preferência por uma das alternativas.

As declarações do premiê no congresso suscitaram críticas entre os defensores do Brexit. Richard Tice, número dois do partido nacionalista Reform UK, liderado por Nigel Farage e favorável à saída da UE, denunciou uma "traição". Já Alex Burghart, vice-líder do Partido Conservador, acusou Burnham de querer "reabrir velhas feridas" porque não teria "um plano" para o país.

Parceria estratégica

Dez anos após a saída da UE, aprovada por margem estreita, com 51,9% dos votos, a opinião pública britânica mudou, segundo pesquisas.

Publicidade

Caso um novo referendo fosse realizado, 55% dos eleitores votariam pela volta ao bloco europeu, de acordo com uma pesquisa divulgada no início de junho pelo instituto Survation. "Burnham reconhece o sentimento no país de que o Brexit fracassou", afirmou David Henig, do centro de estudos European Centre for International Political Economy, sediado em Bruxelas.

Mas, se ele ainda não defende abertamente a reintegração à UE, isso ocorre por causa dos temores de que essa discussão "reavive as divisões do passado", acrescentou. Anand Menon, pesquisador do King's College de Londres, também demonstrou cautela. "Tudo o que ele parece ter dito é que vamos discutir o assunto", observou.

Segundo Menon, "muitas pessoas dentro do governo não querem vê-lo gastar muito tempo e energia com a questão europeia", enquanto os britânicos enfrentam preocupações mais imediatas, como poder de compra, imigração e saúde.

O Partido Trabalhista, então liderado por Keir Starmer, venceu as eleições de 2024 com um programa de governo que prometia uma aproximação com a União Europeia, mas descartava o retorno à união aduaneira, ao mercado comum ou à livre circulação de pessoas.

Publicidade

Uma primeira cúpula entre a UE e o Reino Unido, realizada em maio de 2025, resultou na assinatura de uma "nova parceria estratégica", voltada principalmente para a defesa, e abriu caminho para uma flexibilização das barreiras comerciais.

As negociações devem prosseguir em uma nova cúpula, inicialmente prevista para julho, mas adiada em razão da renúncia de Keir Starmer. O embaixador da União Europeia em Londres, o finlandês Jukka Salovaara, afirmou na terça-feira estar "confiante de que a cúpula ocorrerá em novembro", durante uma mesa-redonda realizada no congresso trabalhista. Um dos temas mais sensíveis será a política europeia de incentivo ao "made in Europe", à qual o Reino Unido deseja se associar para proteger sua indústria.

Com agências

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se