'Estamos muito mal, não conseguimos nem dormir', dizem donos de bar devastado por incêndio na Suíça

O bar da estação de esqui suíça de Crans-Montana, devastado na noite do Ano-Novo por um incêndio, havia sido vistoriado e respeitava todas as normas, garantiu nesta sexta-feira (2) seu proprietário e gerente à imprensa local. Enquanto a identificação das vítimas avança, as autoridades investigam as causas da catástrofe que tirou a vida de dezenas de pessoas e deixou cerca de 100 feridos graves.

2 jan 2026 - 17h27
(atualizado às 17h36)

"Faremos todo o possível para ajudar na investigação", declarou à imprensa suíça o francês Jacques Moretti, proprietário do bar Le Constellation. Ele garantiu que o estabelecimento havia sido vistoriado "três vezes em dez anos" e que "tudo foi feito dentro das normas".

Moretti e sua esposa Jessica foram ouvidos pela polícia, mas apenas para "fornecer informações", o que significa que não foram colocados sob custódia nem indiciados, segundo a procuradora-geral do cantão do Valais, Béatrice Pilloud. Eles foram interrogados sobre a configuração do local, as obras de renovação e a capacidade de lotação do bar.

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De acordo com informações da imprensa, Jacques não estava no Constellation durante o incêndio devastador, mas em um dos outros dois estabelecimentos do casal. Sua esposa, Jessica Moretti, presente no local no momento do incidente, sofreu ferimentos leves, mas pôde voltar para casa.

O dono do bar destacou que ele e a esposa estão cooperando com as autoridades. "Faremos todo o possível para ajudar a esclarecer as causas [da tragédia]. Estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance", afirmou. "Não conseguimos dormir nem comer, estamos todos muito mal", desabafou.

O balanço oficial do incêndio é, até a noite desta sexta-feira, de 40 mortos e 119 feridos. Com base nos primeiros elementos da investigação, "tudo indica que o fogo começou com as velas incandescentes que foram colocadas nas garrafas de champanhe [...] próximas demais ao teto", indicou Pilloud à imprensa. Segundo imagens que circulam nas redes sociais, uma pessoa sobre os ombros de outra teria acidentalmente colocado fogo no teto.

A investigação vai se concentrar, entre outros pontos, em uma espuma aplicada ao teto do bar destruído, já que vários relatos mencionaram esse aspecto do incêndio. "A investigação determinará se essa espuma estava conforme ou não", afirmou Pilloud.

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Identificação das vítimas avança

A identificação das vítimas do incêndio no estabelecimento começou a avançar nesta sexta-feira. "A maioria das vítimas foi encontrada no bar", anunciou o chefe da polícia, Frédéric Gisler, durante uma coletiva de imprensa em Sion, a capital regional.

Ele acrescentou que 113 dos 119 feridos já puderam ser "formalmente" identificados. "Para outros seis, os procedimentos de identificação formal e definitiva ainda estão em andamento".

Segundo ele, entre as pessoas que tiveram suas identidades confirmadas estão 71 suíços, 14 franceses, 11 italianos, quatro sérvios, além de um bósnio, um belga, um luxemburguês, um polonês e um português. Para outros 14 feridos — incluindo os seis ainda não identificados — a nacionalidade ainda não foi estabelecida.

Quanto às 40 vítimas fatais, as autoridades não divulgaram informações sobre as nacionalidades, com exceção de Emanuele Galeppini, italiano de 16 anos que teve seu nome revelado pela Federação Italiana de Golfe.

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Em um comunicado divulgado no X na quinta-feira (1°), o Itamaraty informou que "não há registro, até o momento, de vítimas brasileiras".

Com agências

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