Esquerda social-democrata francesa escolhe eurodeputado de perfil atípico como candidato à presidência

Raphaël Glucksmann venceu neste domingo (11), em eleições primárias, nomes tradicionais do campo social-democrata e agora terá a difícil tarefa de representar a esquerda moderada nas urnas, em abril, nas eleições presidenciais francesas, e enfrentar a extrema direita e a esquerda radical. O eurodeputado de perfil atípico, ensaísta e filósofo, é criticado por estar distante dos problemas cotidianos dos franceses e ganhou projeção por sua defesa da Ucrânia no Parlamento Europeu.

11 out 2026 - 14h57
(atualizado às 15h57)
Resumo
O eurodeputado Raphaël Glucksmann venceu as primárias da esquerda social-democrata francesa com 66% dos votos e disputará a presidência em 2027. Fundador do partido Place Publique e visto como aposta da ala moderada, ele superou nomes tradicionais do Partido Socialista. Glucksmann pontua entre 9% e 14% nas pesquisas, atrás de Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical, com quem descarta alianças para o pleito.

Glucksmann foi escolhido neste domingo (11) como candidato da esquerda social-democrata à Presidência da França. Ele venceu as primárias já no primeiro turno, com 66,13% dos votos. Segundo os organizadores, mais de 120 mil pessoas participaram da votação.

Aos 46 anos, o eurodeputado e fundador do partido Place Publique (Praça Pública) superou com ampla vantagem o primeiro-secretário do Partido Socialista (PS), Olivier Faure, que ficou em segundo lugar, com 14,48% dos votos. Os outros três candidatos, a ex-ministra socialista e ex-candidata à presidência em 2007, Ségolène Royal, e os deputados Jérôme Guedj e Emmanuel Maurel, obtiveram percentuais inferiores a 10%.

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"Este resultado transmite uma mensagem poderosa: uma esquerda fiel aos seus valores pode unir, governar e vencer. Ela pode falar de justiça, ecologia e República sem abrir mão de nada", declarou Glucksmann na rede social X. "Estamos aqui para vencer a eleição presidencial", acrescentou.

Nas pesquisas para a eleição presidencial, cujo primeiro turno está marcado para 18 de abril e o segundo para 2 de maio de 2027, Glucksmann registra atualmente entre 9% e 14% das intenções de voto. Ele aparece bem atrás da candidata da extrema direita Marine Le Pen, do ex-primeiro-ministro Édouard Philippe, de centro-direita, e do líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon. 

Esperança da esquerda

Político de perfil atípico e intelectual defensor dos direitos humanos, da Europa e da Ucrânia, Raphaël Glucksmann surgiu nos últimos anos como uma das poucas esperanças da esquerda moderada francesa.

Foi no Parlamento Europeu, onde exerce mandato desde 2019, que construiu sua ambição presidencial. Em duas ocasiões, liderou uma chapa conjunta de seu partido e do Partido Socialista nas eleições europeias.

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Filho do filósofo André Glucksmann e também ensaísta, ele teve suas primeiras experiências políticas na Geórgia, ao lado do então presidente Mikheil Saakashvili.

Seus críticos frequentemente o acusam de estar distante da realidade dos franceses.

"Muito parisiense"

Questionado por ser considerado "muito parisiense" ou "desconectado da realidade", o ensaísta evoca sua trajetória internacional. Ele lembra a experiência como documentarista sobre o genocídio dos tutsis em Ruanda e a Revolução Laranja na Ucrânia, em 2004, além de sua atuação como conselheiro do ex-presidente georgiano Mikheil Saakashvili, entre 2008 e 2012.

"Minha palavra e minha visão de mundo não foram forjadas em Davos ou Washington, mas em lugares cuja desolação duvido que vocês consigam imaginar", rebate.

Durante o verão europeu, intensificou suas viagens pelas regiões francesas e passou a defender um projeto enraizado na esquerda, que busca conciliar a transição ecológica com o progresso social.

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Glucksmann, no entanto, descarta qualquer aliança com o partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI). Em março, classificou Jean-Luc Mélenchon como o "Jean-Marie Le Pen da nossa época", em referência ao fundador do partido de extrema direita Frente Nacional, hoje denominado Reunião Nacional (RN).

Durante um comício, Mélenchon havia feito uma piada com a pronúncia do sobrenome de Glucksmann, de origem judaica asquenaze, assim como já fizera com outros sobrenomes de sonoridade judaica.

Com AFP

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