Último acampamento de migrantes de Ceuta é desmontado antes de visita do rei da Espanha

As autoridades espanholas desmontaram, neste domingo (11), o último grande acampamento de migrantes em Ceuta, dois dias antes da visita do rei e da rainha da Espanha ao enclave.

11 out 2026 - 09h57
Resumo
Mais de 350 policiais desmontaram o último acampamento de migrantes em Ceuta, transferindo centenas de pessoas para abrigos antes da histórica visita do rei Felipe VI à região. O local abrigava parte dos mais de 70 mil migrantes que entraram no enclave vindos do Marrocos, evento que causou mortes e forte crise diplomática na União Europeia. A ida dos monarcas espanhóis a Ceuta e Melilla, a primeira desde 2007, tende a reacender tensões com Rabat, que reivindica a soberania dessas áreas.

Mais de 350 policiais foram mobilizados, informou o Ministério do Interior em comunicado. Segundo a pasta, esta foi a quinta operação do tipo em Ceuta nas últimas semanas, "com o objetivo de liberar os espaços públicos da cidade".

A polícia espanhola organiza a remoção de migrantes do acampamento provisório de El Guano, próximo à praia de Trampolin, no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, em 11 de outubro de 2026.
A polícia espanhola organiza a remoção de migrantes do acampamento provisório de El Guano, próximo à praia de Trampolin, no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, em 11 de outubro de 2026.
Foto: AFP - THOMAS COEX / RFI

As forças de segurança chegaram pouco depois das 6h (1h em Brasília) à esplanada de El Guano, onde centenas de pessoas estavam acampadas em abrigos improvisados após o desmantelamento de outros locais nas praias vizinhas.

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Os migrantes foram embarcados em ônibus e levados para centros de acolhimento, enquanto equipes de limpeza retiraram as tendas da esplanada e da praia. Alguns migrantes fugiram para as colinas vizinhas para evitar embarcar nos ônibus.

O acampamento havia se formado após a chegada em massa de mais de 70 mil pessoas ao enclave espanhol no norte da África, vindas do Marrocos, nos dias 30 e 31 de julho de 2026. A maioria dos migrantes retornou ao Marrocos poucos dias depois de entrar na Espanha, mas milhares permaneceram em Ceuta, dormindo nas ruas ou nas praias.

Crise diplomática

A onda repentina de migrantes, durante a qual dezenas de pessoas morreram, desencadeou uma crise política em Madri e provocou fortes tensões diplomáticas na União Europeia.

O rei Felipe VI e a rainha Letizia devem visitar Ceuta na terça-feira (13) e, na quarta-feira (14), Melilla, em uma viagem coordenada com o governo. Será a primeira vez que um monarca espanhol visitará as duas cidades desde a viagem do rei Juan Carlos, em novembro de 2007.

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Na época, a visita provocou uma crise diplomática com o Marrocos. Rabat reivindica a soberania sobre os dois enclaves espanhóis no norte da África.

Com AFP

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