O tema é destaque de capa do Libération. Segundo a reportagem do jornal progressista, a seca que atinge a Europa Central deixou de ser um fenômeno pontual e está se transformando em uma crise estrutural com impactos em vários setores. A situação mais crítica ocorre ao longo do Danúbio, que percorre dez países europeus. O nível extremamente baixo do rio obrigou a Hungria a reduzir drasticamente a produção da usina nuclear de Paks, responsável por quase metade da eletricidade do país.
A reportagem aponta que a falta de neve nos Alpes durante o inverno, combinada com sucessivas ondas de calor, reduziu o abastecimento dos grandes rios europeus, como o Danúbio e o Reno. Como consequência, a navegação fluvial foi comprometida, embarcações passaram a transportar cargas reduzidas e setores dependentes de água, como a indústria cervejeira tcheca, enfrentam dificuldades crescentes.
Os impactos econômicos se propagam em cascata: interrupções no transporte de cargas, pressão sobre o sistema energético, redução da atividade industrial e riscos para a produção agrícola.
A reportagem e o editorial do Libération convergem em um ponto: a resposta à crise não pode ser apenas nacional. Como os grandes rios atravessam vários países, a Europa precisará ampliar a cooperação, planejar o uso da água em escala continental e investir na recuperação da capacidade natural dos ecossistemas de armazenar recursos hídricos. O jornal defende que adaptação, antecipação e coordenação europeia serão fundamentais para enfrentar essa nova realidade climática.
Impactos na agricultura
"Agricultura, um verão mortal" é a manchete alarmante do jornal econômico Les Echos. O diário relata que a Alemanha enfrenta uma grave crise provocada pela seca histórica que reduziu drasticamente os níveis dos rios Reno e Elba, importantes rotas de transporte do país. Em alguns pontos, os níveis de água atingiram mínimos históricos, dificultando a navegação e ameaçando o abastecimento de indústrias como a química, a siderúrgica e a energética.
O governo alemão avalia medidas emergenciais, como liberar a circulação de caminhões aos domingos e feriados, acelerar a modernização das embarcações para operar em águas rasas e aprofundar canais de navegação. Mais de 280 milhões de toneladas de cargas passam anualmente pelo Reno, e especialistas alertam que um mês de águas baixas pode reduzir a produção industrial alemã em até 1% e impactar o PIB.
O jornal observa ainda que os efeitos da seca atingem outros países da Europa Central, como a Hungria, onde o baixo nível do Danúbio pressiona o sistema energético. Além disso, agricultores franceses alertam para perdas significativas nas colheitas, com algumas cadeias produtivas podendo perder até 50% da produção anual, o que deve pressionar os preços de frutas e hortaliças nos próximos meses.