O general alemão Breuer assumirá a chefia militar da Otan em 2027, reforçando a liderança de Berlim na aliança e o apoio à Ucrânia. O atual comandante, Giuseppe Dragone, afirmou que o bloco está totalmente preparado para enfrentar a crescente ameaça russa no flanco leste. A nomeação ocorre em um momento de pressão para que a Europa amplie seus próprios investimentos em defesa e dissuasão militar, enquanto os Estados Unidos passam a priorizar outras frentes globais.
Breuer sucederá, em meados de 2027, o italiano Giuseppe Cavo Dragone. Em uma coletiva de imprensa após uma reunião habitual dos 32 chefes militares da Otan, em Copenhague, o atual comandante declarou que "a aliança está pronta" para enfrentar uma eventual escalada das tensões com a Rússia.
"A estrutura está pronta. Os soldados, os sistemas e o armamento estão prontos", frisou Dragone. "Temos 4.000 páginas de planos para o flanco leste, abrangendo desde situações de crise de menor escala ou interferência em nosso território, envolvendo o Artigo 5, até cenários mais graves", disse, evocando o trecho do tratado da organização que menciona que qualquer ataque a um país-membro representa uma agressão à Otan.
"Em caso de ataque, posso afirmar que, hoje, eles têm muito mais a perder do que a ganhar - isso é certo, e é nisso que consiste a dissuasão", ressaltou o chefe militar.
Eleito para um mandato de três anos, o conselheiro militar do secretário-geral da organização, o holandês Mark Rutte, é tradicionalmente um europeu ou um canadense, enquanto o Comandante Supremo das Forças Aliadas na Europa (SACEUR) tem sido um oficial americano, nomeado pelo presidente dos Estados Unidos.
Alemanha reforça papel na estrutura de comando da Otan
À frente da mais alta instância militar da aliança, o general Breuer terá uma "linha clara: a ameaça proveniente principalmente da Rússia, que está crescendo", comentou o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, por comunicado.
Os europeus "terão de investir ainda mais em sua própria segurança e na dissuasão convencional, enquanto os Estados Unidos também voltarão sua atenção para outras regiões", acrescentou ele.
Sob a pressão de Donald Trump, que deseja concentrar os recursos militares americanos em regiões fora da Europa - devido à rivalidade principalmente com a China -, vários países aumentaram seus orçamentos de defesa e aprovaram a meta de destinar 5% de seu PIB à segurança até 2035.
Berlim lidera apoio à Ucrânia
A eleição do general Breuer é "também um sinal de confiança na Alemanha e um reconhecimento das inúmeras medidas adotadas pelo país para fortalecer a aliança", avaliou Pistorius.
Berlim tornou-se a principal doadora à Ucrânia para ajudá-la na guerra contra a Rússia. A Alemanha considera-se na linha de frente diante de Moscou, a quem acusa de realizar "ataques híbridos", incluindo atos de espionagem, sabotagem e ataques cibernéticos.
No sábado, o ex-presidente e ex-primeiro-ministro russo Dimitry Medvedev, que lidera o partido governista Rússia Unida, acusou os europeus de travarem "uma guerra direta contra a Rússia" por meio de seu apoio a Kiev.
"Assim como há cem anos, os canalhas europeus só entendem a força bruta", acrescentou ele, referindo-se à tomada de controle, anunciada por Moscou, dos ativos de empresas europeias ainda estabelecidas na Rússia.
Com AFP