A colisão ocorreu às 19h45, perto de Adamuz, em Córdoba, a cerca de 200 km ao norte de Málaga, entre um trem da operadora ferroviária privada Iryo — que descarrilou enquanto fazia o trajeto Málaga-Madri (Atocha) — e outro trem da Renfe, a companhia nacional espanhola. Nos dois trens viajavam cerca de 500 pessoas — 300 no Iryo Málaga-Madri e 184 no Alvia Madri-Huelva.
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, que esteve no local do acidente, lembrou que o número de mortos "não é definitivo". Segundo a Iryo, o trem acidentado havia passado por sua última revisão há quatro dias.
De acordo com o jornal El País, o ministro espanhol considerou o acidente "estranho", já que ocorreu em um trecho reto da via que havia sido renovado em maio de 2025, mas disse estar "confiante" de que a investigação esclarecerá as causas.
"Como é possível que, em uma linha reta, em um trecho renovado, com um trem quase novo, algo dessa natureza aconteça?", questionou. "Todos os especialistas ferroviários estão muito surpresos com este acidente, pois ele é muito raro e difícil de explicar neste momento", acrescentou.
O trem, fabricado em 2022 e "cuja última revisão foi realizada no dia 15 de janeiro", partiu "com 289 passageiros, 4 membros da tripulação e 1 maquinista a bordo. Às 19h45, por razões ainda desconhecidas, desviou para a via adjacente", informou a operadora em um comunicado nesta segunda. A hipótese de erro humano foi descartada, segundo o presidente da Renfe na rádio pública RNE, Álvaro Fernández Heredia, que também falou de "circunstâncias estranhas".
La última información que llega es muy grave. Las últimas unidades del tren Iryo que iba dirección Madrid han descarrilado, invadiendo esos coches la vía contraria por la que en ese momento circulaba un tren de Renfe en dirección Huelva. El impacto ha sido terrible provocando que… https://t.co/mqewlNBmDf
— Óscar Puente (@oscar_puente_) January 18, 2026
Os ônibus com passageiros e familiares dos dois trens acidentados começaram a chegar à estação de Atocha a partir das quatro e meia da manhã.
As famílias estão sendo recebidas por voluntários da Cruz Vermelha, agentes da Polícia Nacional e equipes de emergência, que acompanham os passageiros até o interior da estação para prestar atendimento médico, segundo o El País. O local teve o acesso restrito. A Unidade Militar de Emergências (UME) foi mobilizada para apoiar as equipes de resgate, e um hospital de campanha foi instalado próximo ao local do acidente.
Violência do impacto
Segundo o ministro, a violência do impacto entre os trens, que transportavam centenas de passageiros, fez com que "os dois primeiros vagões do trem da Renfe fossem lançados para fora dos trilhos".
"Parece um filme de terror", contou um passageiro, Lucas Meriako, que estava no trem Iryo, à emissora La Sexta. "Houve um impacto muito forte na parte traseira e a sensação de que o trem inteiro ia se despedaçar (…) Muitas pessoas ficaram feridas por estilhaços de vidro", afirmou.
Rocío, uma das feridas no acidente de trem em Adamuz e internada no hospital de Córdoba, viajava no Alvia com destino a Huelva. "Foi um caos total", contou em um áudio enviado por WhatsApp.
"Estou internada em observação por causa das pancadas na cabeça e dos vômitos. As costelas não estão quebradas, só deslocadas. Os médicos fizeram uma primeira avaliação no pavilhão e me enviaram para o hospital. Estou cheia de dores e hematomas. Aquilo foi terrível. Saímos voando pelos ares. Graças a Deus estou bem, mas havia muita gente em situação pior que a minha", disse ao El País.
Espanha em choque
O primeiro-ministro Pedro Sánchez descreveu o episódio como um "trágico acidente ferroviário" e expressou sua "dor profunda". Segundo a imprensa, o premiê cancelou toda a sua agenda desta segunda-feira e afirmou acompanhar de perto as operações, com o governo central colaborando com as autoridades locais. O ministro deve comparece nesta segunda no local do acidente.
Hoy es una noche de profundo dolor para nuestro país por el trágico accidente ferroviario en Adamuz.
Quiero expresar mis más sinceras condolencias a las familias y seres queridos de las víctimas.
Ninguna palabra puede aliviar un sufrimiento tan grande, pero quiero que sepan que…
— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) January 18, 2026
Líderes europeus expressaram solidariedade ao governo espanhol. O presidente francês Emmanuel Macron, mencionou "uma tragédia", e o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou estar "profundamente comovido".
Em julho de 2013, a Espanha já havia sido marcada por um descarrilamento de trem pouco antes de sua chegada a Santiago de Compostela (noroeste), que deixou 80 mortos. A colisão é, até o momento, o sexto acidente ferroviário mais mortal no continente europeu no século 21, sendo o mais recente o que causou 57 mortes na Grécia em 2023.
Em um comunicado, a família real espanhola expressou sua "grande preocupação" diante do "grave acidente". Diante da situação, a operadora da rede ferroviária (Adif) informou no X que o tráfego de trens de alta velocidade entre Madri e Córdoba, Sevilha, Málaga e Huelva ficará suspenso durante todo o dia 19 de janeiro.
Com agências