Cúpula na França defende expansão da energia nuclear para reduzir dependência do petróleo

Na abertura da Cúpula de Energia na região parisiense, nesta terça-feira (10), Emmanuel Macron defendeu a retomada de projetos nucleares. A tecnologia é apontada como fator de independência em relação ao petróleo, em um contexto geopolítico em que o produto pode se tornar um instrumento de desestabilização global. O presidente francês convocou atores públicos e privados a investir no setor. A União Europeia também anunciou um aporte de € 200 milhões para impulsionar projetos de energia nuclear.

10 mar 2026 - 11h54

Emmanuel Macron destacou diversos benefícios da energia nuclear. Segundo ele, a tecnologia permite conciliar independência e soberania energética, descarbonização rumo à neutralidade de carbono até 2050, competitividade e criação de empregos.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, entre o presidente francês, Emmanuel Macron, e o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, na abertura da Cúpula de Energia de Paris, realizada nesta terça-feira, 10 de março de 2026.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, entre o presidente francês, Emmanuel Macron, e o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, na abertura da Cúpula de Energia de Paris, realizada nesta terça-feira, 10 de março de 2026.
Foto: © Abdul Saboor / Pool/AFP / RFI

A cúpula, organizada pela França em parceria com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), busca avançar na retomada do nuclear civil para a geração de eletricidade. Esta é a segunda edição do evento, que teve sua estreia em Bruxelas em 2024. O encontro reúne cerca de quarenta representantes de Estados, em um momento marcado pela guerra no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e do gás.

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Macron pediu a cada ator público e privado que faça sua parte para continuar mobilizando investimentos em prol da energia nuclear. Para o presidente francês, trata-se de um verdadeiro setor do futuro, mas que exige grandes volumes de capital.

UE promete € 200 milhões

A União Europeia investirá € 200 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão) para apoiar projetos de tecnologias nucleares inovadoras, anunciou nesta terça-feira a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante a cúpula.

Segundo ela, foi um erro estratégico a Europa ter virado as costas a uma fonte confiável e acessível de energia de baixas emissões. Apesar disso, o tema continua a dividir os 27 países do bloco.

A cúpula ocorre às vésperas do 15º aniversário do acidente nuclear de Fukushima, no Japão, e no mesmo ano em que se marca o 40º aniversário da catástrofe de Chernobyl, na Ucrânia.

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Após o desastre japonês de 2011, o setor nuclear civil entrou em descrédito. No entanto, volta a atrair interesse global, impulsionado pelos desafios da soberania energética, pela urgência da descarbonização e pelo avanço da inteligência artificial, que ampliou a demanda por eletricidade.

Energia nuclear

Na COP28, em Dubai, diversos países se comprometeram a triplicar a capacidade nuclear instalada até 2050. Esse compromisso é atualmente endossado por cerca de trinta nações.

A França, anfitriã do evento, é uma das principais potências nucleares civis do mundo, com 57 reatores. No cenário global, a energia nuclear responde por cerca de 10% da eletricidade produzida, com cerca de 450 reatores em operação em aproximadamente 30 países. Outros 40 países manifestaram interesse sólido no desenvolvimento dessa fonte de energia, afirmou na segunda-feira Rafael Grossi, diretor-geral da AIEA, citando Argentina e África do Sul entre os interessados.

Assim como em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a nova crise no Oriente Médio expôs a vulnerabilidade dos países dependentes da importação de petróleo, tanto pelo risco ao abastecimento quanto pela volatilidade dos mercados.

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Protestos

Dois ativistas do Greenpeace tentaram interromper a abertura da cúpula. Enquanto Macron recebia os convidados, eles estenderam um banner com os dizeres "a energia nuclear alimenta a guerra da Rússia".

Paralelamente, a alta do barril de petróleo, que afeta diretamente os preços dos combustíveis, continua no centro das atenções. Os ministros de Energia do G7 se reúnem nesta tarde na sede da Agência Internacional de Energia (AIE), em Paris, para discutir o tema e podem anunciar medidas que incluem o uso de reservas estratégicas para estabilizar o mercado.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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