França fiscaliza postos de gasolina para controlar alta injustificada dos preços

A disparada do preço do petróleo, provocada pela guerra no Oriente Médio, virou um desafio para o governo francês. Desde as primeiras horas do conflito, o preço do produto nos postos de gasolina do país começou a subir, gerando forte indignação. Para coibir os aumentos injustificados nas bombas, a França lançou nesta segunda-feira (9) uma operação de fiscalização excepcional em postos de todo o país.

9 mar 2026 - 15h12

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou no domingo (8) que o plano excepcional de 500 inspeções seria realizado entre segunda e quarta-feira. O objetivo é evitar aumentos injustificados nos preços do produto nas bombas, após temores de que os varejistas aproveitem da alta provocada pelo conflito para lucrar ainda mais.

Para coibir os aumentos injustificados nas bombas, a França iniciou nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, uma operação de fiscalização excepcional em postos de gasolina de todo o país.
Para coibir os aumentos injustificados nas bombas, a França iniciou nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, uma operação de fiscalização excepcional em postos de gasolina de todo o país.
Foto: © AFP / JEFF PACHOUD / RFI

Em uma publicação na plataforma X, o primeiro-ministro alertou que o conflito no Oriente Médio não deve ser usado como pretexto para aumentos excessivos.

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As inspeções serão realizadas pela agência francesa de prevenção a fraudes, a DGCCRF. Segundo Lecornu, a operação de três dias representa o equivalente a seis meses completos do plano habitual de fiscalização.

Segundo o Ministério da Economia, as inspeções servirão para verificar se os preços declarados pelas cerca de 10 mil estações de serviço francesas no site oficial de combustíveis correspondem aos preços exibidos nas bombas e se respeitam as regras de transparência obrigatórias.

Críticas da oposição

No entanto, o anúncio rapidamente gerou críticas de políticos da oposição, que exigem medidas mais fortes para proteger o bolso dos motoristas que dependem do carro para trabalhar. A líder do partido de extrema direita Reunião Nacional (RN), Marine Le Pen, sugeriu reduzir impostos sobre combustíveis para compensar os aumentos.

O partido LFI, de esquerda radical, pediu o congelamento dos preços da gasolina, argumentando que a questão do combustível pesa de forma importante no poder de compra dos franceses, inclusive os mais vulneráveis.

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Pressionado, o governo francês busca uma resposta para a disparada dos preços, mas por enquanto descarta subsídios públicos para a compra de combustível, devido ao impacto nas finanças do Estado.

Segundo cálculos do Ministério da Economia, uma eventual redução de impostos sobre produtos petrolíferos causaria um rombo de quase € 20 bilhões no orçamento do Estado.

Aumento na bomba

Desde o início da guerra, o preço do diesel foi o que subiu mais rapidamente na França. A alta do produto nas bombas foi superior a 15%. O litro do combustível mais utilizado na França era vendido na sexta-feira a € 2, em média, contra cerca de € 1,72 em 27 de fevereiro, véspera do início da ofensiva israelo-americana contra o Irã.

No mesmo período, a alta da gasolina SP95-E10 foi de quase 6%, com o litro valendo na sexta-feira, em média, € 1,82. A alta provocou filas nos postos, com motoristas tentado encher os tanques antes de novos aumentos.

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No mercado internacional, o preço do petróleo bruto voltou a subir nesta segunda-feira, ultrapassando os US$ 100 por barril. O Brent do Mar do Norte, referência no mercado mundial, chegou a disparar temporariamente mais de 28%, antes de recuar após o anúncio de uma possível utilização das reservas estratégicas de petróleo pelos países do G7 que não se concretizou.

Alguns países da Ásia, muito dependentes dos hidrocarbonetos do Golfo, anunciaram medidas para limitar o impacto, entre elas controle de preços na Coreia do Sul, fim de tarifas alfandegárias no Vietnã e mecanismos de ajuste em Taiwan.

A Croácia, integrante da União Europeia, anunciou nesta segunda-feira um teto para os preços da gasolina e do diesel.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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