Busca e apreensão na sede do X na França; Elon Musk é convocado pelo Ministério Público de Paris

Uma busca e apreensão está em curso, nesta terça-feira (3), nas instalações francesas da rede social X, informou a Promotoria de Paris em suas redes sociais. A operação é conduzida pela seção de combate à cibercriminalidade do Ministério Público parisiense. O proprietário da plataforma, Elon Musk, e a ex-diretora-geral do X, Linda Yaccarino, foram convocados para audições livres marcadas para 20 de abril, segundo comunicado oficial.

3 fev 2026 - 11h07

De acordo com a procuradora da República de Paris, Laure Beccuau, Elon Musk e Linda Yaccarino são chamados a depor "na qualidade de gestores de fato e de direito da plataforma X no momento dos fatos". Em paralelo, a magistrada confirmou que "uma busca e apreensão está sendo realizada hoje [terça-feira (3)] nas instalações francesas da plataforma X".

Elon Musk, dono da rede social X, em Washington, em 19 de novembro de 2025.
Elon Musk, dono da rede social X, em Washington, em 19 de novembro de 2025.
Foto: © Reuters/Evelyn Hockstein / RFI

As medidas fazem parte de uma investigação aberta no início de 2025. O inquérito teve origem em denúncias apresentadas por deputados franceses, que acusaram o X, sob a direção de Elon Musk, de operar com algoritmos enviesados, capazes de comprometer o funcionamento regular da rede social.

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Desde então, o escopo das investigações foi expandido para incluir possíveis crimes graves, entre eles: cumplicidade na posse de imagens de menores com caráter pedopornográfico; cumplicidade na difusão, oferta ou disponibilização organizada desse tipo de conteúdo; produção e disseminação de deepfakes de natureza sexual; práticas de negacionismo; e contestação de crimes contra a humanidade, após a divulgação de mensagens negacionistas pelo perfil Grok na plataforma.

Além de Musk e Yaccarino, funcionários da plataforma X também foram convocados para prestar depoimento na semana de 20 a 24 de abril de 2026, na condição de testemunhas. Segundo Laure Beccuau, as audições livres dos dirigentes têm como objetivo permitir que eles exponham sua versão dos fatos e, se for o caso, apresentem medidas de adequação às normas legais.

A escolha pelo regime de "audição livre" reflete, segundo o Ministério Público, o espírito que orienta a investigação neste estágio. "A condução deste inquérito se inscreve, neste momento, em uma abordagem construtiva, com o objetivo de garantir, ao final, a conformidade da plataforma X com as leis francesas, na medida em que ela opera em território nacional", afirmou a procuradora.

O inquérito, inicialmente aberto em novembro de 2025, também abrange investigações por administração de plataforma online ilícita em associação criminosa, extração fraudulenta de dados e manipulação do funcionamento de sistemas automatizados de tratamento de informações, e foi ampliado progressivamente à medida que novos elementos surgiram.

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A busca e apreensão ocorre com o apoio da unidade nacional cibernética da polícia nacional francesa e conta com a presença da Europol, a agência de cooperação policial da União Europeia.

Em contraste, no caso da plataforma Kick, alvo de uma investigação judicial após a morte, transmitida ao vivo, do streamer Jean Pormanove, a postura do Ministério Público foi mais dura. No fim de janeiro, a seção de combate à cibercriminalidade da Promotoria de Paris expediu mandados de prisão contra os três gestores de fato e de direito da plataforma, que também responde como pessoa jurídica.

Segundo o Ministério Público, essa medida extrema foi necessária porque os envolvidos, apesar de convocados, não compareceram à Justiça francesa.

RFI com AFP

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