Após a vitória nas eleições parlamentares de domingo (12), o partido de centro‑direita Tisza, liderado por Magyar, deve conceder a ele carta branca para governar. O conservador pró‑europeu declarou que pretende restaurar o Estado de Direito e comemorou a obtenção de uma maioria de dois terços no Parlamento, o que lhe permitirá emendar a Constituição.
Para acelerar a transição de poder, Magyar pediu ao presidente Tamás Sulyok que convocasse o novo Parlamento "o mais rápido possível". Aliado próximo de Viktor Orbán, Sulyok tem até 30 dias para fazê‑lo. Até lá, o governo atual deve permanecer restrito à administração dos assuntos do dia a dia.
Limitar o número de mandatos
Ansioso por se distanciar do antecessor, cujo governo comparou ao de um Rei Sol, Peter Magyar prometeu governar "como um capitão que coordena e leva em consideração as opiniões" de seus ministros.
Novato na política e ex‑membro do Fidesz, Magyar surgiu no cenário eleitoral no início de 2024 e, em apenas dois anos, conseguiu construir um movimento de oposição capaz de derrotar Viktor Orbán. Ao vencer o pleito, ele declarou, em discurso de vitória, que seus eleitores haviam "libertado a Hungria", sob aplausos de dezenas de milhares de pessoas — um desfecho que poderá desbloquear bilhões de euros em fundos europeus congelados em razão dos conflitos entre o governo Orbán e a União Europeia sobre questões de direitos humanos.
Em entrevista coletiva nesta segunda‑feira, o futuro primeiro‑ministro afirmou que seu governo terá diversas tarefas urgentes, entre elas a proposta de uma emenda constitucional para limitar a dois o número de mandatos para o cargo de chefe de governo.
"Faremos tudo para restaurar o Estado de Direito, a democracia pluralista e o sistema de freios e contrapesos", afirmou.
Magyar explicou que a emenda se aplicaria a Viktor Orbán, impedindo que o ex‑premiê volte a ocupar o cargo. "Ele teve uma tremenda oportunidade de realizar grandes feitos no interesse nacional e de garantir que a Hungria se tornasse um país europeu em desenvolvimento. Não aproveitou essa chance — a desperdiçou", criticou.
O novo líder também agradeceu à Rússia e à China por terem "aceitado respeitosamente" o resultado da eleição e por se declararem "abertas à cooperação pragmática". Ao abordar a política energética, afirmou que não pretende "dar um tiro no próprio pé" ao cortar totalmente o fornecimento de hidrocarbonetos da Rússia.
Magyar acrescentou que qualquer normalização das relações com a Ucrânia deverá ser precedida da resolução da situação da minoria húngara que vive no país vizinho.
Com AFP