A advogada iraniana Nasrin Sotoudeh venceu o prestigioso prêmio Václav Havel de Direitos Humanos, tornando-se a primeira mulher de seu país a receber a honraria. Reconhecida por sua militância contra a pena de morte e a obrigatoriedade do véu, ela já enfrentou repetidas prisões em Teerã pela defesa de ativistas e minorias. A premiação de 60 mil euros foi entregue à sua filha em Estrasburgo, em meio a um cenário de crescente repressão e perseguição contra defensores dos direitos humanos no Irã.
Militante contra a pena de morte e contra a obrigatoriedade do uso do véu pelas mulheres, Nasrin Sotoudeh "representou ativistas, jornalistas, membros de minorias e crianças ameaçadas de execução, apesar de repetidas prisões, longas penas de detenção e significativos riscos pessoais", destacou a instituição sediada em Estrasburgo.
Primeira iraniana a receber o prêmio, Nasrin foi escolhida em detrimento de sua compatriota Masih Alinejad, jornalista exilada nos Estados Unidos e ativista contra a obrigatoriedade do véu, e da húngara Marta Pardavi, copresidente de uma organização que defende os direitos de solicitantes de asilo.
"Em momentos como este, lembramos de nossas lutas passadas, de nossos ideais comuns e das pessoas que nos apoiam ao redor do mundo. Renovamos as esperanças que compartilhamos e dizemos a nós mesmos: um dia elas se tornarão realidade. Um dia, o sol da liberdade também brilhará sobre nosso país", afirmou a advogada de 63 anos em uma mensagem de vídeo enviada de Teerã.
Mehraveh Khandan Heris, filha da advogada, esteve em Estrasburgo para receber a premiação, criada em 2013 em homenagem ao ex-dissidente tcheco Václav Havel e acompanhada de uma dotação de 60 mil euros.
Repressão
Detida em abril pelas autoridades iranianas, Nasrin Sotoudeh, que recebeu em 2012 o prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, concedido pelo Parlamento Europeu, foi libertada sob fiança pouco mais de um mês depois, sem que fossem divulgados os motivos de sua prisão. Ela já havia sido encarcerada diversas vezes no passado.
Segundo o Conselho da Europa, sua detenção ocorreu em um contexto de "preocupações com sua segurança e, mais amplamente, com a repressão a advogados independentes e defensores dos direitos humanos" no Irã. Seu marido, Reza Khandan, está preso desde dezembro de 2024.
De acordo com organizações de defesa dos direitos humanos, milhares de pessoas foram detidas no Irã desde o início da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro.
Teerã também reconheceu mais de 3.000 mortes em manifestações contra o regime iraniano em janeiro, mas atribuiu a violência a "atos terroristas" supostamente organizados pelos Estados Unidos e por Israel.
Com agências