EUA anunciam "Dia D econômico" de sanções para isolar Irã

24 ago 2026 - 17h57
Resumo
Os EUA anunciaram um "Dia D econômico", ampliando sanções secundárias para isolar o Irã do sistema financeiro internacional e conter seus ataques marítimos. A medida ameaça punir países e entidades que mantenham laços comerciais com Teerã, mirando setores estratégicos como tecnologia, ouro e transporte. A China criticou a pressão, enquanto o Irã rejeitou as ameaças e impôs restrições no Estreito de Ormuz, em meio a novos ataques a petroleiros e a esforços diplomáticos do Paquistão pela paz.

Os EUA anunciaram nesta segunda-feira uma ampliação das sanções secundárias que, segundo ‌esperam, "cortará todas as linhas de vida econômicas" que sustentam o Irã, enquanto o governo do presidente Donald Trump se esforça para resolver uma guerra impopular que tem pressionado para cima os preços da energia.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, revelou o que descreveu como um "Dia D econômico", que visa dar um aviso final aos países para que cortem seus laços comerciais com o Irã ou corram o risco de ter empresas e entidades importantes excluídas do sistema financeiro baseado no dólar.

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"Estamos lançando um ataque econômico contra as conexões financeiras do Irã em todo o mundo. Nosso objetivo é cortar todas ⁠as linhas de vida econômicas que sustentam esse regime tirânico até que Teerã fique isolada", disse Bessent em uma coletiva de imprensa.

No entanto, ele não quis ‌identificar os países que seriam alvo das medidas ou informar quando essas sanções entrariam em vigor.

A medida faz parte dos esforços dos EUA para pressionar o Irã a pôr fim aos ataques a navios no Golfo Pérsico e, mais recentemente, por meio de seus aliados, no Mar Vermelho, que ‌Teerã lançou depois que os EUA e Israel iniciaram ataques aéreos contra o país em ‌fevereiro. O Irã afirmou que isso terá o efeito oposto.

O Irã passou décadas sob camadas de sanções norte-americanas e internacionais que abalaram sua ⁠economia, mas não dissuadiram sua liderança.

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Quase seis meses se passaram desde que os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã, desencadeando um conflito que paralisou o transporte marítimo na região, restringiu o fluxo de petróleo e causou prejuízos aos EUA e à economia global.

Os preços do petróleo recuaram nesta segunda-feira, após duas semanas de alta, à medida que os investidores realizaram lucros antes do anúncio dos EUA.

"NINGUÉM" ESTÁ FORA DO ALCANCE DAS SANÇÕES

Bessent já havia solicitado a cooperação da China, o maior comprador de petróleo iraniano há vários anos, embora o bloqueio dos EUA aos portos do Irã, renovado em meados ‌de julho, já tenha reduzido o fluxo de petróleo iraniano para a China.

Especialistas afirmam que Washington teme uma retaliação chinesa a quaisquer sanções contra seus bancos ‌antes das negociações previstas para o próximo mês ⁠entre o presidente dos EUA, Donald Trump, ⁠e o presidente chinês, Xi Jinping, sendo que quaisquer restrições sobre exportações chinesas de minerais essenciais são especialmente delicadas.

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Questionado sobre os bancos chineses nesta segunda-feira, Bessent disse: "Queremos deixar ⁠claro aqui hoje que ninguém está acima do alcance das sanções dos EUA."

O Ministério das ‌Relações Exteriores da China afirmou que sanções e ‌táticas de pressão não ajudam e que Pequim faria o que fosse necessário para proteger os interesses da China.

Bessent disse que o Departamento do Tesouro mapeou as redes, os facilitadores e os canais financeiros que o Irã usa para contrabandear petróleo e burlar as sanções. Ele afirmou que Washington trabalharia com seus parceiros para atingir qualquer fonte de "receita ilícita" do Irã.

O departamento afirmou que o governo iraniano estava utilizando cinco ⁠setores — ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo — para sustentar sua economia, e que esses setores estavam sob ameaça de sanções. O Tesouro também impôs sanções a quase 60 entidades, indivíduos e embarcações.

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Trump ameaçou aplicar tarifas sobre mercadorias provenientes de países que mantêm relações comerciais com o Irã, entre os quais Turquia, Iraque e Índia, embora a Suprema Corte tenha derrubado a base legal para tais tributações.

O Irã rejeitou a ameaça dos Estados Unidos e emitiu um novo alerta à navegação, afirmando que embarcações não devem transitar pelo Estreito ‌de Ormuz sem sua autorização, listando 45 navios que, segundo ele, violaram suas regras e ameaçando retaliação contra qualquer transferência de navio para navio envolvendo essas embarcações.

NEGOCIAÇÕES COM O PAQUISTÃO, PROJÉTIL ATINGE PETROLEIRO

O chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, que estabeleceu um relacionamento pessoal com Trump, esteve no ⁠Irã nesta segunda-feira para conversações, segundo a mídia iraniana. O Paquistão afirmou que a visita tinha como objetivo "promover a paz e a estabilidade regionais", e uma fonte paquistanesa disse que Munir se reuniria com pessoas próximas ao líder supremo do Irã.

Duas fontes paquistanesas afirmaram que Trump havia ligado para Munir na semana passada, e outra fonte disse que o principal pedido era fazer com que o Irã voltasse às negociações. A Casa Branca confirmou a ligação, mas não comentou sobre seu conteúdo.

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Os EUA e o Irã não realizam ataques aéreos contra suas forças militares há semanas, mas suas últimas negociações oficiais diretas para pôr fim ao conflito, que já dura seis meses, ocorreram em junho, e os ataques a embarcações no Estreito de Ormuz continuaram.

Um projétil atingiu um petroleiro a oeste da cidade portuária saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, nesta segunda-feira, causando um incêndio no convés principal, segundo informaram monitores de navegação da Maritime Trade Operations do Reino Unido.

Um porta-voz dos houthis aliados do Irã, que no mês passado anunciaram que bloqueariam as exportações de petróleo sauditas desviadas para o Mar Vermelho a fim de evitar o Estreito de Ormuz, disse que haviam atacado uma embarcação na área. A companhia nacional de navegação da Arábia Saudita confirmou que uma de suas embarcações havia sido atacada.

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