O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas nesta terça-feira, 22, em Nova York. Trump falou sobre a economia dos Estados Unidos, aumento das taxas de empregos entre a população negra e latina que vive no país, e afirmou que o país está "melhor do que nunca" ao iniciar o discurso.
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Trump afirmou que, desde que assumiu o cargo, foram criados mais de 1 milhão de novos empregos no setor privado e que há mais americanos trabalhando hoje do que em qualquer outro momento. Ele destacou que a taxa de pobreza atingiu o nível mais baixo da história americana, com 1,5 milhão de pessoas saindo da pobreza no último ano, além de taxas recordes de baixa pobreza entre as populações afro-americana e hispano-americana.
A renda familiar média real dos americanos atingiu o recorde de US$ 87.000, segundo o presidente. Ele mencionou a aprovação dos maiores cortes de impostos da história do país, a conquista de compromissos de US$ 21 trilhões em novos investimentos globais (em comparação com menos de US$ 1 trilhão nos quatro anos da gestão anterior) e que os mercados de ações dos EUA quebraram 80 recordes históricos nos últimos 12 meses.
Trump declarou que a fronteira dos EUA passou de "a mais perigosa da Terra" para "a mais segura da história americana", afirmando que nos últimos seis meses "zero imigrantes ilegais" foram admitidos no país. Ele destacou a maior queda já registrada em crimes violentos, com a taxa de homicídios despencando para o nível mais baixo em 125 anos. Ele ainda citou reduções de criminalidade superiores a 80% em Memphis e Nova Orleans após o envio de forças federais, e uma queda de 87% no crime em Washington, D.C.
Ações militares
Segundo Trump, o governo dos EUA investiu volumes recordes nas Forças Armadas nos últimos 12 meses, com a previsão de atingir US$ 1,5 trilhão neste mandato.
Trump afirmou que os militares dos EUA destruíram completamente o programa nuclear do Irã, deixando-o "reduzido a uma montanha de entulho" após o regime recusar propostas de negociação e cooperação econômica. O presidente relatou a destruição massiva das forças iranianas, afirmando que todos os 159 navios da marinha do Irã foram afundados, sua força aérea, radares e equipamentos de defesa aérea foram destruídos, e sua capacidade de fabricação de mísseis e drones foi quase totalmente eliminada.
Ele também destacou que a Marinha dos EUA escoltou recentemente mais de 1 bilhão de barris de óleo para fora do Estreito de Ormuz. O presidente afirmou que enfrenta uma grande decisão: fechar um acordo que permita ao Irã se reconstruir ou "aniquilar a República Islâmica rapidamente" para que nunca mais represente uma ameaça. Ele prevê que um acordo será feito logo após as eleições de meio de mandato.
Após Venezuela, Cuba seria novo alvo dos EUA
Trump mencionou a operação militar na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro em janeiro, e indicou que o próximo alvo dos Estados Unidos será Cuba. O governo de Trump busca uma mudança fundamental em Cuba, afirmando que o regime comunista está sob extrema pressão e irá cair.
O político Marco Rubio está liderando as negociações. Trump também acusou o regime cubano de passar décadas coordenando ações com redes comunistas e grupos radicais de esquerda dentro dos EUA, como o Partido Comunista dos EUA, o Antifa e os Socialistas Democráticos da América.
O presidente enfatizou que os EUA estão reafirmando seu poder militar no hemisfério ocidental e no mundo para garantir a segurança nacional e impedir que adversários estrangeiros ameacem o país.
"Superinteligência"
Trump falou sobre a Inteligência Artificial (IA) criticando o termo usado para se referir a essa tecnologia. Segundo ele, o nome correto deveria ser "superinteligência", com a sigla "SI". Ele argumentou que a palavra "artificial" faz a tecnologia parecer falsa e criticou os alarmistas que dizem que a IA vai destruir a humanidade, comparando-os aos que faziam previsões catastróficas sobre o aquecimento global.
O presidente afirmou que quem liderar a "superinteligência" vencerá, destacando que os EUA estão muito à frente da China e que ele não irá sufocar o crescimento dessa tecnologia. O Departamento de Justiça e outros órgãos de segurança monitorarão o setor de perto para garantir a segurança, mas incentivando o seu desenvolvimento, segundo ele.
Elogios a Melania Trump
Trump elogiou Melania Trump por garantir o retorno seguro de crianças ucranianas e russas para suas famílias. Ele destacou também que ela foi a única primeira-dama na história a presidir uma reunião do Conselho de Segurança da ONU e que está liderando a iniciativa "fostering the future together".
Críticas à ONU
De acordo com Trump, sob liderança do embaixador Michael Waltz, os EUA trabalharam para implementar reformas na ONU, incluindo um corte de 15% no orçamento para 2026, eliminando mais de 4.000 cargos burocráticos. Trump criticou a imposição de agendas de extrema-esquerda por burocratas globalistas não eleitos.
Trump relatou que sua administração interveio para impedir que a Organização Marítima Internacional (IMO) estabelecesse um imposto global sobre o carbono no transporte marítimo internacional. Ele declarou que não haverá impostos globais enquanto for presidente.
O presidente dos EUA expressou forte oposição ao Tribunal Penal Internacional (TPI/ICC), afirmando que nunca permitirá que militares americanos sejam investigados por um tribunal sem jurisdição sobre os EUA, e pediu que as nações membros se retirem da instituição.
Ele ainda criticou os oficiais de direitos humanos da ONU por “censurarem os EUA” por aplicarem suas leis de imigração e protegerem as crianças do que chamou de "mutilação e insanidade transgênero". Trump acusou o Conselho de Direitos Humanos de hipocrisia por ignorar a perseguição de cristãos e os crimes de regimes repressivos.
Encontros com líderes
Trump terá uma agenda intensa de reuniões com líderes após a Assembleia. Ele começou o dia com um discurso aos delegados reunidos, antes de se encontrar com 11 líderes mundiais, seja em reuniões bilaterais ou em grupos. Trump causou polêmica no ano passado com um discurso combativo, afirmando que os países estavam "indo para o inferno" devido, entre outras coisas, à política climática e à migração em massa.
Ao longo do dia, Trump se reunirá com o primeiro-ministro britânico Andy Burnham, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, a líder interina da Venezuela Delcy Rodríguez, a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, o primeiro-ministro da Groenlândia Jens-Frederik Nielsen e os representantes dos países do Golfo: Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã, Barein, Kuwait e Catar.
À noite, ele poderá se reunir com dezenas de outros líderes, ainda que brevemente, durante uma recepção para líderes. Trump se reuniu com o presidente francês Emmanuel Macron na segunda-feira. É possível que haja acréscimos à sua agenda de terça-feira.
(*Com Ansa e Reuters)