Na abertura da Assembleia Geral da ONU, António Guterres apelou pelo diálogo e pela desescalada dos conflitos no Oriente Médio, defendendo o cessar-fogo, ajuda humanitária e a solução de dois Estados para Israel e Palestina. Ele também condenou a invasão russa na Ucrânia por violar a Carta da ONU e impactar civis e o abastecimento global. Por fim, Guterres cobrou uma reforma no Conselho de Segurança que reflita o mundo atual, destacando como injusta a falta de um assento permanente para a África.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, abriu nesta terça-feira os trabalhos da 81ª Assembleia Geral da ONU com um apelo por uma desescalada no Oriente Médio.
Em seu último discurso no cargo, o português pediu aos líderes presentes que aproveitem a semana de alto nível para promover o diálogo.
"Em todo o Oriente Médio, os conflitos estão se multiplicando em cadeia. Faço um apelo aos líderes presentes nesta sala para que aproveitem ao máximo esta semana de alto nível para favorecer a desescalada e o diálogo", afirmou Guterres em Nova York.
"Os combates devem cessar, a ajuda humanitária deve poder fluir, e os direitos e as liberdades de navegação devem ser plenamente restabelecidos, em conformidade com o direito internacional", acrescentou.
O secretário-geral também fez um apelo para que a solução de dois Estados para o conflito entre Israel e Palestina "não desapareça diante de nossos olhos", recebendo os aplausos do plenário. Além disso, declarou que a "invasão em larga escala da Rússia" contra a Ucrânia "arrastou um país soberano para uma guerra brutal, em clara violação da Carta das Nações Unidas".
"Os civis continuam perdendo a vida mesmo distante do fronte, sobretudo na Ucrânia, porém, mais recentemente, também em algumas áreas da Rússia. Residências, infraestruturas energéticas e hídricas e sistemas de transporte foram repetidamente atacados, colocando em risco as cadeias de abastecimento de alimentos e energia em nível global", disse.
Guterres ainda aproveitou a ocasião para defender uma reforma do Conselho de Segurança da ONU para "espelhar o mundo atual". "O exemplo mais flagrante é a África, que ainda não dispõe de um assento permanente. Um Conselho de Segurança do século 21 desprovido de representação africana permanente é injusto e indefensável", salientou. .