'Bateram na janela e perguntaram se éramos do ICE', relata correspondente da Globo nos EUA

Nilson Klava e Alex Carvalho estavam em Minneapolis, palco de uma onda de protestos contra a política de imigração e repressão

30 jan 2026 - 20h53
(atualizado às 23h11)
População pede fim de ação da imigração em Minneapolis
População pede fim de ação da imigração em Minneapolis
Foto: Scott Olson/Getty Images

O correspondente da TV Globo em Nova York, Nilson Klava, relatou ter vivido momentos de tensão durante a cobertura jornalística em Minneapolis, nos Estados Unidos, cidade que se tornou epicentro de protestos após ações violentas de agentes de imigração. Ao lado do repórter cinematográfico Alex Carvalho, Klava foi confundido com agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) enquanto apurava o clima na região, marcada por medo, desconfiança e vigilância constante por parte dos moradores.

Os jornalistas estavam em Minneapolis para cobrir a morte de mais um cidadão americano durante uma operação de imigração. O caso mais recente é o de Alex Pretti, morto a tiros por agentes, episódio que intensificou a revolta da população local.

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Segundo Nilson Klava, a equipe decidiu circular por bairros residenciais após uma mudança no discurso do presidente Donald Trump, pressionado politicamente pelo desgaste causado pelas mortes recentes. 

A primeira situação de tensão ocorreu enquanto os dois permaneciam dentro do carro, tentando se proteger do frio extremo. "Nós estávamos dentro do carro por um tempo, estávamos ali nos aquecendo um pouco, estava um frio de 30 graus negativos fora do carro e eu estava escrevendo o texto da matéria do Jornal Nacional quando duas pessoas bateram na janela perguntando se nós éramos agentes disfarçados do ICE", contou o correspondente.

Nilson Klava durante participação do programa 'Conversa com Bial'
Foto: Divulgação/ G / Estadão

Após se identificarem como jornalistas brasileiros, o clima se acalmou. Ainda assim, a explicação dos moradores revelou o grau de alerta da comunidade. "E aí logo essas pessoas perceberam que nós tínhamos um microfone no carro, nós nos apresentamos, falamos que éramos da imprensa brasileira e ficou tudo bem. Só que eu perguntei para elas, né, por que vocês acharam isso? E elas disseram, vocês estavam dois homens nos bancos da frente, com um carro grande, com a placa de outro estado e parados por um tempo aqui. E muitas das vezes os agentes do ICE, na maior parte delas, não estão identificados".

"Essas duas pessoas estavam com cordas, com um apito no pescoço. E eu perguntei sobre isso e elas nos disseram que a função delas no bairro era de fazer a patrulha. E quando encontravam o agente do ICE, elas usavam apito para chamar a atenção dos vizinhos. É um bairro com muitos imigrantes".

A equipe ainda enfrentaria outras situações semelhantes. Segundo ele, foram várias ao longo do dia, em diferentes bairros. "Uma segunda naquele mesmo local, depois nós mudamos de bairro e uma pessoa, por exemplo, chegou a parar com o carro ao lado do nosso, ela pediu para que nós abaixássemos a janela e aí pediu uma explicação do que nós estávamos fazendo ali no bairro".

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Em outro momento, enquanto gravavam um relato para o Jornal Nacional, a equipe foi novamente questionada em outro bairro. "Outra pessoa chegou e a gente até mostrou isso na reportagem, uma mulher pediu para que nós mostrássemos a nossa credencial de jornalista".

As abordagens se repetiram ainda em um quarto bairro. "A mesma coisa, mais duas abordagens e as pessoas nos explicaram que elas iam revezando ali nessa patrulha e isso ficou muito forte, muito marcante para a gente", relatou.

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Fonte: Portal Terra
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