Nicolás Maduro, capturado pelos EUA, contratou Barry Pollack, advogado de Julian Assange, para defendê-lo de acusações como narcoterrorismo; ele e sua esposa, também acusada, alegam inocência.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, contratou o advogado criminalista Barry Pollack para atuar em sua defesa no processo por narcoterrorismo, na Justiça dos Estados Unidos. Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram capturados pelos EUA no último sábado, 3, em Caracas.
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Maduro é acusado por quatro crimes na Justiça norte-americana: narcoterrorismo; conspiração para o tráfico de cocaína; posse de armas e explosivos; e conspiração para a posse de armas e explosivos. Ele estava com algemas nos tornozelos e fones de ouvido durante a audiência.
Conforme o jornal americano The Wall Street Journal, o advogado escolhido pelo presidente venezuelano é renomado em Washington e atua no escritório especializado Harris St. Laurent & Wechsler LLP. Pollack tem uma vasta experiência em casos complexos e de grande repercussão, como do fundador da plataforma WikiLeaks, Julian Assange, acusado por vazamento de dados nacionais sensíveis.
Em 2010, o site publicou publicou documentos sigilosos do governo estadunidense. Entre eles, estavam registros secretos do Exército norte-americano, incluindo violações de direitos humanos nas guerras do Afeganistão e do Iraque.
Por conta disso, Assange ficou preso de 2019 a junho de 2024 no Reino Unido. Ele foi libertado após fazer um acordo, no qual se declarou por conspiração contra o governo para obter e divulgar ilegalmente informações confidenciais.
Já a esposa de Maduro é representada pelo ex-procurador federal de Houston, Mark Donnelly, que atuou como investigador da Câmara dos Representantes do Texas no caso de impeachment contra o procurador-geral do estado, Ken Paxton, em 2023. Paxton acabou absolvido.
Maduro e esposa alegam inocência
Maduro e Cilia foram ouvidos nesta segunda-feira, 5. O presidente venezuelano deposto alegou ser inocente perante a Justiça dos EUA. "Eu sou inocente. Eu sou um homem decente. Eu sou um presidente", afirmou.
A esposa também foi ouvida e negou qualquer envolvimento nos crimes, declarando-se inocente. Segundo a imprensa americana, o casal teve atendido um pedido para receber a visita de um representante do Consulado da Venezuela.
Durante a audiência em Nova York, Maduro afirmou ainda ao tribunal que continua sendo o líder da Venezuela, de acordo com a CBS News. Câmeras não são permitidas no tribunal, e apenas alguns repórteres têm autorização para transmitir informações diretamente de dentro da sala.
A sessão foi conduzida pelo juiz distrital Alvin Hellerstein, de 92 anos, um magistrado com ampla experiência. Hellerstein também determinou que Maduro participe de uma nova audiência no dia 17 de março.
A audiência constituiu um procedimento formal da Justiça norte-americana, no qual os réus precisam comparecer para serem informados oficialmente sobre as acusações que enfrentam.
Segundo veículos de imprensa americana, Pollack afirmou que seu cliente não pretende solicitar liberdade mediante fiança neste momento, mas que essa possibilidade poderá ser considerada futuramente.