Equador limita acesso de Assange à internet, mas nega pressão dos EUA após vazamentos do Wikileaks contra Hillary

19 out 2016 - 07h48
(atualizado às 08h40)
Julian Assange está asilado na embaixada do Equador em Londres desde 2012
Julian Assange está asilado na embaixada do Equador em Londres desde 2012
Foto: EFE

O Equador reconheceu que restringiu temporariamente o acesso de Julian Assange à internet em sua Embaixada em Londres, onde o fundador do Wikileaks está asilado.

A chancelaria equatoriana assinalou que, nas últimas semanas, Assange divulgou informações que poderiam impactar as eleições presidenciais nos Estados Unidos.

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Em comunicado, a chancelaria equatoriana afirmou que a divulgação dos documentos é de responsabilidade exclusiva do Wikileaks e que o Equador não quer interferir no processo eleitoral americano.

Mas o país ressaltou que a decisão de limitar o acesso do ativista à internet não foi resultado de pressão de Washington.

"O Equador, exercendo seu direito soberano, restringiu temporariamente o acesso à parte de seu sistema de comunicação na embaixada no Reino Unido", diz o comunicado. "O Equador não cede a pressões de outros países."

Os Estados Unidos também negaram as acusações do Wikileaks de que teria pedido ao Equador para impedir que o site publicasse documentos sobre a cadidata presidencial Hillary Clinton.

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Julian Assange está asilado na Embaixada equatoriana em Londres desde 2012 para evitar extradição à Suécia, onde ele é acusado na Justiça de abuso sexual.

Saia justa

Foto: Twitter/reprodução

O Wikileaks afirmou pelo Twitter que o Equador havia cortado o acesso de Assange à internet na tarde de sábado. "Podemos confirmar que o Equador cortou o acesso de Assange à internet às 5pm do sábado, logo após a publicação dos discursos de Clinton ao Goldman Sachs", diz o tuíte.

O Wikileaks divulgou recentemente materiais da campanha presidencial de Hillary Clinton, inclusive e-mails hackeados do chefe da campanha democrata, John Podesta.

O site publicou no sábado a transcrição de três discursos pagos que Hillary deu ao banco de investimentos Goldman Sachs - discursos que a campanha da democrata vinha se recusando a divulgar.

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O conteúdo revela a relação amistosa que a candidata tem com executivos do setor bancário - o que pode gerar desconfiança entre democratas liberais que não veem com bons olhos a proximidade de Hillary com Wall Street.

A campanha da candidata democrata alegou que a divulgação dos documentos havia sido orquestrada por hackers russos com o objetivo de atrapalhar o processo eleitoral. Ainda que a equipe de Hillary não tenha confirmado nem negado a autenticidade dos emails vazados, não há indícios de que sejam falsos.

Ação secreta na Síria

De acordo com os últimos emails vazados, Hillary afirmou em uma palestra no Goldman Sachs que gostaria de intervir secretamente na Síria. Ela fez a afirmação em resposta a uma pergunta de Lloyd Blankfein, chefe executivo do banco, em 2013, meses após deixar o cargo de secretária de Estado.

"Na minha opinião você interfere da maneira mais secreta possível", disse ela. O banco pagou US$ 225 mil pela palestra.

Apelidada de "falcão" por críticos devido à suas posições firmes em situações de guerra, Hillary criticou fontes do governo que vazam informações sobre operações delicadas para os jornalistas.

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"Costumávamos ser melhores do que isso. Agora ninguém consegue se segurar, eles precisam contar aos seus amigos jornalistas 'olha o que eu estou fazendo, quero colher o mérito por isso'", disse a presidenciável.

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