Em nova estratégia de defesa, Pentágono prioriza segurança interna e 'domínio militar' na América Latina

O Exército americano pretende fornecer apoio "mais limitado" aos aliados de Washington na Europa para priorizar a segurança interna e a dissuasão em relação à China, além de colocar a América Latina no topo das prioridades, anunciou o Pentágono nesta sexta (23) em sua nova estratégia de defesa.

24 jan 2026 - 10h10

A "Estratégia de Defesa Nacional 2026" marca uma ruptura com a política adotada pelo governo Joe Biden e destaca que os aliados dos Estados Unidos devem assumir responsabilidade maior por sua própria defesa. O tom em relação aos inimigos tradicionais dos EUA, como China e Rússia, também é mais moderado.

"Enquanto as forças americanas se concentram na defesa de seu território e da região Indo‑Pacífica, nossos aliados e parceiros assumirão a responsabilidade por sua própria defesa, com apoio essencial, porém mais limitado, das forças americanas", afirma o documento.

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A estratégia anterior do órgão, publicada durante a presidência do democrata Joe Biden, descrevia a China como o desafio mais importante para Washington e considerava a Rússia uma "ameaça grave". O novo documento recomenda "relações respeitosas" com Pequim e não menciona Taiwan — aliado dos EUA e reivindicado pela China —, descrevendo a ameaça russa como "persistente, porém gerenciável".

O Pentágono "dará prioridade aos esforços para fechar nossas fronteiras, repelir qualquer forma de invasão e expulsar estrangeiros em situação irregular", segundo o documento de 2026. A "Estratégia de Defesa Nacional 2026" também não menciona os perigos relacionados às mudanças climáticas, que o governo Biden havia identificado como "ameaça emergente".

América Latina é prioridade

O Pentágono coloca a América Latina no topo das prioridades americanas, a exemplo da "Estratégia de Segurança Nacional" publicada pela Casa Branca no início de dezembro.

O órgão afirma que "restabelecerá o domínio militar dos Estados Unidos no continente americano" e que essa capacidade será usada para "proteger nossa pátria e nosso acesso às áreas estratégicas na região".

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É nesse contexto que Trump justificou a operação de captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, alegando a necessidade de restaurar a supremacia dos Estados Unidos sobre todas as Américas — gesto que poderia inspirar China e Rússia.

Trump apresentou a operação noturna em Caracas como uma atualização da Doutrina Monroe, formulada há mais de um século e que considera a América Latina é área de influência exclusiva dos Estados Unidos.

Desde setembro, os Estados Unidos realizaram cerca de 30 ataques contra embarcações de supostos traficantes, que resultaram em mais de 110 mortes no Caribe e no Pacífico. O governo Trump jamais apresentou qualquer prova de que os navios atingidos estavam de fato envolvidos em algum tipo de tráfico.

Com agências

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