O Vaticano marcará o primeiro aniversário da morte do papa Francisco com a estreia, no próximo dia 8 de abril, de um documentário que percorre a vida e a obra de Jorge Mario Bergoglio (1936-2025) antes de assumir a liderança da Igreja Católica.
Produzida pelo Vatican News e dirigida por Eugenio Bonanata, a obra "A Argentina de Francisco" resgata a vida de Bergoglio em Buenos Aires, explorando seus hábitos, pensamentos e o contexto que moldou sua vocação religiosa e seu estilo pastoral.
Com cerca de uma hora de duração e inteiramente em espanhol, o documentário percorre bairros históricos como Flores e Almagro, onde o religioso argentino nasceu e cresceu.
Entre os locais visitados estão igrejas marcantes em sua formação, como a Basílica de Santa Maria Ausiliatrice, onde foi batizado, a Igreja de San Giuseppe, associada à sua vocação religiosa, além do Oratório de Santo Antônio de Pádua, ligado aos Salesianos e ao seu amor por São Lourenço de Almagro.
Contada sem a ajuda de um narrador, a narrativa é conduzida por depoimentos de pessoas que conviveram com o então arcebispo, além de análises dos jornalistas Alicia Barrios, Francesca Ambrogetti e Sergio Rubin.
Vários ex-alunos também falam, relembrando os anos em que Bergoglio lecionou em diversas instituições jesuítas pelo país - o Colégio Máximo, o Colégio de El Salvador e o Colégio de Santa Fé.
Imagens de arquivo complementam os relatos, evidenciando características que mais tarde definiriam o pontificado de Francisco, como a humildade, humanidade, o diálogo inter-religioso, a fraternidade e a preocupação com os mais pobres.
O documentário também destaca a atuação de Bergoglio nas chamadas "villas miserias", áreas periféricas de Buenos Aires marcadas por desigualdade social. Nessas comunidades, segundo os testemunhos, consolidou-se sua visão de uma Igreja próxima dos excluídos, baseada na solidariedade e na integração social.
Entre as iniciativas mencionadas estão a criação da "Vicaria para la pastoral de villas de emergencia" e do projeto "Hogar de Cristo", voltados ao apoio das populações vulneráveis e ao combate a problemas como o narcotráfico.
A obra reforça como essas experiências nas periferias argentinas influenciaram diretamente os princípios que marcaram o pontificado de Francisco, especialmente a defesa de uma Igreja voltada à fraternidade, à inclusão e à missão junto aos mais necessitados.