Diretor da OMS tranquiliza população e diz que hantavírus não será 'nova Covid'

'Risco para a saúde pública continua baixo', garantiu Tedros

9 mai 2026 - 12h53

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, assegurou que o surto de hantavírus em um navio de cruzeiro não se tornará uma nova Covid-19.

    A declaração foi dada em uma mensagem à população de Tenerife, cidade das Ilhas Canárias, na Espanha, que se prepara para receber a embarcação MV Hondius, palco de um foco de contágio que já contabiliza oito casos da doença, incluindo três óbitos.

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    "Meu nome é Tedros e sou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, a agência das Nações Unidas responsável pela saúde pública global. Não costumo escrever diretamente para as pessoas de uma única comunidade, mas hoje sinto que não só é apropriado, como também necessário", disse o chefe da OMS no X.

    "Sei que estão preocupados. Sei que, quando ouvem a palavra 'surto' ou 'epidemia' e veem um navio aproximar-se da sua costa, afloram memórias que nenhum de nós conseguiu superar por completo. A dor de 2020 continua real, e não a minimizo nem por um momento. Mas preciso que me ouçam com clareza: isto não é outra Covid-19. O risco atual para a saúde pública decorrente do hantavírus continua baixo", assegurou Tedros.

    O etíope reconheceu a gravidade da situação a bordo do MV Hondius, mas reiterou que o risco para a "vida cotidiana" em Tenerife é "baixo". "Esta é a avaliação da OMS, e não a fazemos de qualquer jeito", salientou o diretor, que ainda detalhou os planos para a evacuação dos passageiros do navio.

    Segundo Tedros, os viajantes serão transferidos para terra firme no porto industrial de Granadilla, "longe de zonas residenciais, em veículos selados e escoltados, através de um corredor completamente isolado", e serão "repatriados diretamente a seus países de origem".

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    "Vocês não terão contato com eles, nem as suas famílias.

    Quase 150 pessoas de 23 países estão à deriva no mar há semanas, algumas em luto, todas assustadas, todas ansiosas para voltar para casa. Tenerife foi escolhida por ter a capacidade médica, a infraestrutura e, eu sei, a humanidade necessária para ajudá-las a chegar em segurança", escreveu.

    Segundo o governador das Canárias, Fernando Clavijo, "quatro ou cinco aviões" já estão prontos para evacuar os passageiros do MV Hondius, que deve chegar ao arquipélago neste domingo (10).

    Até o momento, oito casos de hantavírus foram confirmados no navio, dos quais três evoluíram para óbito.

    Cerca de metade dos 60 tripulantes continuarão a bordo para conduzir o navio até a Holanda, país de bandeira da embarcação e onde será feita a desinfecção. As operações em Tenerife serão coordenadas presencialmente por Tedros e por autoridades do governo da Espanha.

    O hantavírus é um patógeno transmitido sobretudo pelo contato com aerossóis formados a partir de secreções de roedores silvestres. O contágio entre pessoas é incomum, mas pode acontecer no subtipo Andes, que está associado ao surto no MV Hondius.

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    Os sintomas iniciais da hantavirose incluem fadiga, febre, dores musculares e de cabeça, tonturas e calafrios, e os casos mais graves podem registrar síndromes cardiopulmonares agudas, insuficiência renal e febre hemorrágica. Não há tratamento específico para a doença.

    O MV Hondius havia partido de Ushuaia, no extremo-sul da Argentina, em 1º de abril, e cruzou o Atlântico em direção às Canárias. Ainda não está claro como os primeiros infectados contraíram o hantavírus, mas a suspeita é de que eles tenham sido contaminados antes do embarque, em solo argentino. .

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