O Ministério da Saúde da Itália ativou os protocolos de vigilância para quatro pessoas que tiveram um breve contato com uma mulher morta no surto de hantavírus que atinge o navio de cruzeiro MV Hondius.
A vítima em questão chegou a ser evacuada para Joanesburgo, na África do Sul, porém faleceu em decorrência da hantavirose.
Ainda não está claro como nem quando se deu esse contato, mas os quatro indivíduos chegaram em Roma por meio de um voo com conexão da companhia aérea holandesa KLM.
"Após relatos recebidos por canais internacionais sobre o surto do hantavírus Andes associado ao MV Hondius, o Ministério da Saúde ativou os procedimentos necessários de avaliação de risco, vigilância e coordenação sanitária, em conformidade com os protocolos nacionais e internacionais", diz um comunicado divulgado pela pasta neste sábado (9).
"Quatro pessoas chegaram à Itália no voo da KLM com conexão para Roma, no qual a mulher internada em Joanesburgo e lá falecida subiu por alguns minutos", acrescenta o ministério, sem dar mais detalhes sobre o episódio.
Segundo o comunicado, os dados dos quatro indivíduos foram encaminhados às suas regiões de residência (Calábria, Campânia, Toscana e Vêneto), para que a vigilância pudesse ser ativada "com a máxima cautela".
Uma delas, uma mulher residente em Florença, na Toscana, foi colocada em quarentena domiciliar por precaução, porém todos estão assintomáticas. O ministério, no entanto, assegurou que o risco de contaminação para a população geral "permanece muito baixo", opinião compartilhada pelo professor de saúde pública na Universidade San Raffaele, de Milão, Giovanni Rezza.
"Acredito que fizeram bem, por extrema precaução, em adotar essas medidas de isolamento, de quarentena. No entanto trata-se de uma medida puramente preventiva porque o risco de desenvolvimento da doença é extremamente baixo. Pelo que se sabe, esses indivíduos não tiveram contatos muito próximos ou diretos com a pessoa doente.", salientou o especialista.
Até o momento, oito casos de hantavírus foram confirmados no MV Hondius, dos quais três evoluíram para óbito.
O navio havia partido de Ushuaia, no extremo-sul da Argentina, em 1º de abril, e cruzou o Atlântico em direção às Ilhas Canárias, na Espanha, onde os passageiros serão evacuados.
Ainda não está claro como os primeiros infectados contraíram o hantavírus, mas a suspeita é de que eles tenham sido contaminados ainda antes do embarque, em solo argentino.
Esse patógeno é transmitido sobretudo pelo contato com aerossóis formados a partir de secreções de roedores silvestres.
O contágio entre pessoas é incomum, mas pode acontecer no subtipo Andes, que está associado ao surto no MV Hondius.
Os sintomas iniciais da hantavirose incluem fadiga, febre, dores musculares e de cabeça, tonturas e calafrios, porém os casos mais graves podem registrar síndromes cardiopulmonares agudas, insuficiência renal e febre hemorrágica. Não há tratamento específico para a doença. .