"Não reinarei na Hungria, mas servirei ao meu país. Vou servi-lo enquanto meus serviços forem úteis e a nação precisar", declarou Magyar em seu primeiro discurso diante do Parlamento húngaro como chefe do governo. Ele também destacou que "milhões de pessoas optaram pela mudança" na Hungria.
De Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia (braço executivo da UE), Ursula von der Leyen, que tinha relações tensas com Orbán, felicitou o novo primeiro-ministro. "Nossos corações estão em Budapeste. A esperança e a promessa de renovação são um sinal poderoso nestes tempos difíceis. Temos um trabalho importante pela frente", afirmou. Por sua vez, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, saudou "um novo capítulo na história da Hungria".
O partido Tisza, de Peter Magyar, obteve uma vitória esmagadora em 12 de abril, encerrando 16 anos de governo de Viktor Orbán e garantindo uma maioria de dois terços no Parlamento, o que significa que ele está em posição de alterar a Constituição e reverter medidas controversas, consideradas por alguns como um ataque à democracia.
Desafios econômicos
Investidores estrangeiros e também húngaros saudaram a vitória de Peter Magyar. O forint, a moeda local, alcançou seu nível mais alto em quatro anos em relação ao euro, enquanto os rendimentos dos títulos públicos recuaram.
Mas a lua de mel do líder de centro-direita, de 45 anos, pode ser breve, já que a economia húngara precisa ser reaquecida e as contas públicas estão sob pressão. Magyar herda um país que acaba de sair da estagnação no primeiro trimestre e que agora precisa enfrentar um ambiente difícil, marcado pela alta dos custos de energia com o conflito no Oriente Médio, algo que pode pesar fortemente sobre suas contas.
Dados divulgados na sexta-feira (8) mostraram que o déficit orçamentário da Hungria em abril já representava 71% da meta anual, em razão dos gastos pré-eleitorais realizados por Viktor Orbán. Magyar afirmou que esse déficit pode se aproximar de 7% do PIB neste ano.
Posição pró-Ocidente
O novo chefe do governo se comprometeu a reafirmar a posição pró-Ocidente da Hungria num momento em que o país, membro da Otan, sob o mandato de Viktor Orbán, dava a impressão de se alinhar ao Kremlin. O ex-premiê se opôs às iniciativas da UE destinadas a apoiar a Ucrânia diante da invasão russa.
Peter Magyar também declarou que suspenderá os programas informativos da mídia pública, acusando os meios de comunicação estatais e os veículos pró-Orbán de ajudarem o agora ex-líder húngaro a manter seu domínio político, ao mesmo tempo em que concedem pouco tempo de visibilidade a seus opositores. Peter Magyar, que se comprometeu a conduzir uma ampla campanha de combate à corrupção, também quer negociar um acordo com os líderes da UE para liberar os fundos europeus suspensos até 25 de maio.
(Com agências)