Após 16 anos de Orbán no poder, Peter Magyar toma posse na Hungria prometendo 'servir, não reinar'

Peter Magyar, vencedor das eleições na Hungria, tomou posse neste sábado (9) como primeiro-ministro. Ele chega ao poder com promessas de mudança depois de anos de estagnação econômica e de relações tensas com aliados-chave do país durante o mandato de seu antecessor, Viktor Orbán.

9 mai 2026 - 12h54

"Não reinarei na Hungria, mas servirei ao meu país. Vou servi-lo enquanto meus serviços forem úteis e a nação precisar", declarou Magyar em seu primeiro discurso diante do Parlamento húngaro como chefe do governo. Ele também destacou que "milhões de pessoas optaram pela mudança" na Hungria.

Peter Magyar durante cerimônia de posse como primeiro-ministro da Hungria, em 9 de maio de 2026.
Peter Magyar durante cerimônia de posse como primeiro-ministro da Hungria, em 9 de maio de 2026.
Foto: © Bernadett Szabo / Reuters / RFI

De Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia (braço executivo da UE), Ursula von der Leyen, que tinha relações tensas com Orbán, felicitou o novo primeiro-ministro. "Nossos corações estão em Budapeste. A esperança e a promessa de renovação são um sinal poderoso nestes tempos difíceis. Temos um trabalho importante pela frente", afirmou. Por sua vez, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, saudou "um novo capítulo na história da Hungria".

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O partido Tisza, de Peter Magyar, obteve uma vitória esmagadora em 12 de abril, encerrando 16 anos de governo de Viktor Orbán e garantindo uma maioria de dois terços no Parlamento, o que significa que ele está em posição de alterar a Constituição e reverter medidas controversas, consideradas por alguns como um ataque à democracia.

Desafios econômicos

Investidores estrangeiros e também húngaros saudaram a vitória de Peter Magyar. O forint, a moeda local, alcançou seu nível mais alto em quatro anos em relação ao euro, enquanto os rendimentos dos títulos públicos recuaram.

Mas a lua de mel do líder de centro-direita, de 45 anos, pode ser breve, já que a economia húngara precisa ser reaquecida e as contas públicas estão sob pressão. Magyar herda um país que acaba de sair da estagnação no primeiro trimestre e que agora precisa enfrentar um ambiente difícil, marcado pela alta dos custos de energia com o conflito no Oriente Médio, algo que pode pesar fortemente sobre suas contas.

Dados divulgados na sexta-feira (8) mostraram que o déficit orçamentário da Hungria em abril já representava 71% da meta anual, em razão dos gastos pré-eleitorais realizados por Viktor Orbán. Magyar afirmou que esse déficit pode se aproximar de 7% do PIB neste ano.

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Posição pró-Ocidente

O novo chefe do governo se comprometeu a reafirmar a posição pró-Ocidente da Hungria num momento em que o país, membro da Otan, sob o mandato de Viktor Orbán, dava a impressão de se alinhar ao Kremlin. O ex-premiê se opôs às iniciativas da UE destinadas a apoiar a Ucrânia diante da invasão russa.

Peter Magyar também declarou que suspenderá os programas informativos da mídia pública, acusando os meios de comunicação estatais e os veículos pró-Orbán de ajudarem o agora ex-líder húngaro a manter seu domínio político, ao mesmo tempo em que concedem pouco tempo de visibilidade a seus opositores. Peter Magyar, que se comprometeu a conduzir uma ampla campanha de combate à corrupção, também quer negociar um acordo com os líderes da UE para liberar os fundos europeus suspensos até 25 de maio.

(Com agências)

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