Rússia e Ucrânia mantêm ataques, apesar de cessar-fogo unilateral de Moscou na véspera de desfile

A Rússia e a Ucrânia continuaram seus ataques mútuos com drones nesta sexta-feira (8), apesar de um cessar-fogo unilateral declarado por Moscou entrar em vigor à meia-noite, em respeito às comemorações pelo fim da Segunda Guerra Mundial, celebradas em 9 de maio na Rússia. Os países da União Europeia comemoram a data neste dia 8.

8 mai 2026 - 11h24

Kiev não manifestou intenção de concordar com a trégua e acusou Moscou de apenas querer cessar temporariamente as hostilidades para realizar o tradicional desfile militar na Praça Vermelha, na capital russa. A Ucrânia havia solicitado a paralisação do conflito na quarta-feira, mas o pedido foi ignorado pelos militares russos.

Ucranianos celebraram o fim da Segunda Guerra Mundial nesta sexta-feira, 8 de maio, mesma data adotada pelos países europeus.
Ucranianos celebraram o fim da Segunda Guerra Mundial nesta sexta-feira, 8 de maio, mesma data adotada pelos países europeus.
Foto: REUTERS - Gleb Garanich / RFI

A contraproposta foi apresentada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, como um teste para verificar se o Kremlin realmente desejava uma trégua. O conflito desencadeado pela invasão russa, que está no quinto ano, matou centenas de milhares de pessoas e é o mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

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À medida que o dia 9 de maio se aproxima, data em que a Rússia comemora a rendição alemã em 1945, as declarações beligerantes de ambos os países se intensificaram. A Rússia ameaçou lançar um ataque de grandes proporções no centro de Kiev se a Ucrânia atacar o desfile de sábado, e alertou diplomatas estrangeiros e residentes para que evacuassem imediatamente a capital ucraniana.

Tensão em Kiev

Um breve alerta de ataque aéreo soou na manhã de sexta-feira em Kiev, devido a um potencial ataque com mísseis balísticos, de acordo com as autoridades locais. Em um comunicado no Telegram, a embaixada do Irã, aliado de Moscou, na capital ucraniana solicitou que seus cidadãos residentes na cidade evitem se aproximar de edifícios governamentais ou militares e, "se possível", que deixem Kiev.

Um grande incêndio florestal começou nesta sexta-feira na zona radioativa de Chernobyl, no norte da Ucrânia, após a queda de um drone na véspera. A administração da reserva em torno da central nuclear não detectou qualquer aumento da radioatividade na área.

"Do lado russo, não houve a menor tentativa, nem mesmo simbólica, de cessar-fogo na linha de frente. Assim como fizemos nas últimas 24 horas, a Ucrânia retaliará da mesma forma hoje", advertiu o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na manhã de sexta-feira.

Segundo a Força Aérea Ucraniana, a Rússia lançou 67 drones de longo alcance contra o país durante a noite. Este é, no entanto, o menor número em quase um mês. As defesas aéreas russas, por sua vez, interceptaram 264 drones ucranianos desde que o cessar-fogo começou. Eles foram destruídos em cerca de dez regiões, incluindo a capital russa, de acordo com a mesma fonte.

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Moscou havia assegurado que, durante a trégua, os bombardeios russos seriam "completamente" interrompidos ao longo da linha de frente, assim como contra a infraestrutura militar localizada mais no interior do território ucraniano, alertando que responderia caso a Ucrânia não fizesse o mesmo. Moscou afirmou na sexta-feira que respondeu "simetricamente" às "violações" da trégua por parte da Ucrânia.

Expectativa de retomada de negociações

As negociações sobre a invasão russa estão atualmente paralisadas. Após uma reunião na Flórida entre o enviado de Kiev, Rustem Umerov, e representantes do presidente dos EUA, Donald Trump, Zelensky afirmou que espera que negociadores dos Estados Unidos visitem a Ucrânia nas próximas semanas para conversas sobre o fim da guerra. "Esperamos que desta vez seja possível alcançar o que foi planejado e ativar a diplomacia", acrescentou ele, nas redes sociais.

Os Estados Unidos, que se posicionaram como mediadores entre Kiev e Moscou na tentativa de pôr fim à invasão russa da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, facilitaram diversas rodadas de negociações diretas. Essas negociações, que até agora produziram poucos avanços concretos além da troca de prisioneiros entre os dois lados, estão suspensas desde o início da guerra no Oriente Médio, no final de fevereiro.

Drama em Kherson

O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia alerta para a situação humanitária nos territórios ocupados da região de Kherson, no sul da Ucrânia, que está ocupada desde 2022 e são palco de intensos combates. A população da área mais afetada diminuiu de 40.000 para 6.000 pessoas, incluindo 200 crianças, informa a correspondente da RFI, Emmanuelle Chaze.

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O ministro Andrii Sybiha denunciou as dificuldades para as evacuações de civis, bloqueadas por intensos combates, e advertiu que a população local luta para sobreviver sem luz, água potável, alimentos ou medicamentos básicos. Os mortos sequer podem ser enterrados, e os moradores que tentam fugir sozinhos são atingidos por drones FPV russos, disse ele.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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