Demanda por IA mantém motor das exportações da China em pleno funcionamento

7 ago 2026 - 06h53

As exportações da China superaram as expectativas em julho, continuando a ser um dos ‌principais motores do crescimento econômico, à medida que o boom global da infraestrutura de IA impulsionou a demanda por produtos de alta tecnologia e os exportadores anteciparam os embarques antes da entrada em vigor de tarifas mais altas dos EUA.

A potência industrial tem contado com a demanda externa para sustentar o crescimento e compensar o consumo interno fraco e a desaceleração dos investimentos, mas os atritos nas relações da China com seus parceiros comerciais podem levar a um maior protecionismo em um ambiente global incerto devido à guerra ⁠no Oriente Médio.

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As exportações da China em julho cresceram 23,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, em termos de valor em ‌dólares, segundo dados da alfândega divulgados nesta sexta-feira, desacelerando em relação ao aumento de 27% registrado no mês anterior e ficando abaixo da previsão de 22,2% de alta em uma pesquisa da Reuters.

As importações aumentaram 27,5% em relação a julho do ano passado, ‌desacelerando em relação ao salto de 36% registrado em junho e em linha com ‌o ganho esperado de 27,9%.

No mês passado, os Estados Unidos proibiram as importações de novos robôs humanóides e quadrúpedes, bem ⁠como de inversores de energia conectados, provenientes da China; e, na quinta-feira, impuseram preços mínimos e uma tarifa de 15% sobre produtos fabricados com polissilício, a matéria-prima utilizada em semicondutores e painéis solares que é produzida principalmente pela China.

O iuan oscilava perto da maior cotação em três anos e meio, enquanto as ações registraram alta após a divulgação dos dados.

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DEMANDA RESILIENTE POR PRODUTOS RELACIONADOS À IA

Analistas esperam que a demanda por IA, que impulsionou os preços de produtos relacionados, sustente um forte crescimento das exportações no terceiro trimestre e até ‌mesmo no segundo semestre.

As exportações de chips nos primeiros sete meses quase dobraram em valor em relação ao ano passado, e as exportações gerais ‌de alta tecnologia cresceram 40,7%, segundo dados ⁠da alfândega.

As remessas de cerâmica caíram ⁠28,3% e as exportações de brinquedos diminuíram 9,7%, em mais um sinal do desenvolvimento desigual da economia, em que fabricantes de ponta aproveitam o ⁠boom da IA, enquanto setores mais tradicionais enfrentam dificuldades devido à fraca demanda.

O ‌crescimento do PIB da China desacelerou para ‌4,3% no segundo trimestre, ficando abaixo da meta oficial de Pequim para o ano inteiro, que é de 4,5% a 5%.

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"A demanda externa tornou-se cada vez mais importante este ano para as perspectivas de crescimento, à medida que a divergência em forma de K da China se amplia", disse Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do ING.

RELAÇÕES COM PARCEIROS COMERCIAIS

Autoridades ⁠chinesas têm prometido repetidamente expandir as importações e promover um comércio equilibrado; no entanto, o superávit comercial do país, a caminho de ultrapassar US$1 trilhão pelo segundo ano consecutivo, continuou a inquietar os parceiros comerciais, preocupados com perturbações em suas próprias indústrias nacionais.

O superávit comercial da China diminuiu para US$112,5 bilhões, ante US$125,62 bilhões em junho. Seu superávit comercial com os Estados Unidos diminuiu ligeiramente para US$28 bilhões em julho, ante US$28,86 bilhões no mês anterior.

As exportações para ‌os EUA aumentaram 17% em relação ao mesmo mês do ano passado. As remessas para a União Europeia cresceram 16%, enquanto as importações do bloco caíram 1,4%. O comércio com a Coreia do Sul manteve um crescimento robusto em julho, com as exportações ⁠subindo 46,6% e as importações, 97,8%, impulsionadas pela demanda por alta tecnologia.

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Exportadores chineses e importadores norte-americanos continuaram a antecipar os embarques em julho, pois esperavam que as tarifas de Washington sobre produtos chineses aumentassem após o vencimento de uma alíquota global temporária de 10% no final de julho, disse Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit.

Em julho, os EUA impuseram uma nova tarifa de 12,5% sobre as importações chinesas após o término da alíquota de 10%, como parte de uma campanha tarifária mais ampla voltada para parceiros comerciais que, segundo Washington, não conseguiram coibir o trabalho forçado. Uma investigação separada dos EUA sobre o excesso de capacidade dos parceiros comerciais provavelmente aumentará ainda mais as tarifas.

Com as exportações em alta e as fábricas operando a todo vapor, os formuladores de políticas podem se sentir mais à vontade para adiar medidas destinadas a aumentar a renda das famílias e fortalecer os sistemas de previdência social, a fim de lidar com a fraqueza arraigada na demanda interna.

Analistas da Macquarie afirmaram que o apoio de Pequim às políticas de consumo interno e ao mercado imobiliário permanecerá moderado enquanto as exportações e a indústria puderem ajudar a economia a atingir a meta anual de crescimento.

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