Adolescente mata avós e deixa vítimas em escola perto de Bancoc

Um adolescente armado matou oito pessoas nesta sexta-feira (7) na Tailândia, incluindo os próprios avós e seis pessoas em uma escola de ensino médio na província de Nonthaburi, ao norte de Bancoc. O ataque deixou ainda pelo menos 23 feridos, segundo informações da polícia e das autoridades locais.

7 ago 2026 - 06h43

De acordo com os investigadores, o jovem utilizou uma pistola que pertencia ao avô. Antes de ir à escola Debsirin, onde estudava, ele matou os dois avós. Em seguida, invadiu o estabelecimento de ensino e abriu fogo contra alunos e professores.

Entre as vítimas fatais na escola estão três estudantes e três professores. O atirador, identificado pelas autoridades como um aluno de 14 ou 15 anos matriculado no colégio, também morreu. A polícia ainda não esclareceu se ele foi morto durante a intervenção das forças de segurança ou se tirou a própria vida.

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Colegas descreveram o adolescente como um jovem com comportamento perturbado. Um estudante de 17 anos ouvido pela AFP afirmou que o suspeito tinha forte fascínio pelo FBI e por armas de fogo. Segundo relatos de outros alunos, ele também era alvo frequente de bullying.

O mesmo estudante contou ter escapado por pouco do ataque. Ao ver o colega apontar a arma em sua direção, teve a impressão de estar diante de alguém treinado para agir daquela forma.

Segundo a polícia, 23 pessoas ficaram feridas. O vice-ministro do Interior da Tailândia, Polapee Suwunchwee, informou à emissora pública Thai PBS que 15 estudantes se machucaram durante a fuga, em meio ao pânico provocado pelos disparos.

Policiais forenses examinam o prédio da Escola Debsirin Nonthaburi, onde ocorreu o tiroteio, no distrito de Bang Kruai, na província de Nonthaburi, nos arredores de Bangcoc, Tailândia, em 7 de agosto de 2026.
Policiais forenses examinam o prédio da Escola Debsirin Nonthaburi, onde ocorreu o tiroteio, no distrito de Bang Kruai, na província de Nonthaburi, nos arredores de Bangcoc, Tailândia, em 7 de agosto de 2026.
Foto: RFI

Desespero de pais

Pais correram para a escola após o ataque para buscar os filhos, enquanto alunos e funcionários, muitos em lágrimas, tentavam se amparar do lado de fora da instituição.

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A estudante Pawarisa Maylissa contou à AFP que ouviu uma sucessão de disparos vindos do andar superior do prédio onde estava. Segundo ela, o barulho era tão intenso que era possível ouvir o som das cápsulas de munição caindo no chão. Em meio ao ataque, disse ter temido pela própria vida e pela possibilidade de não realizar seus planos para o futuro.

A jovem afirmou ainda não conhecer o suspeito, que seria um pouco mais novo do que ela, e demonstrou surpresa com a facilidade de acesso a uma arma de fogo por parte de um adolescente.

Fotos divulgadas pela imprensa local mostram o atirador usando uniforme escolar e uma bolsa preta atravessada no ombro. Em algumas imagens, cápsulas de munição aparecem espalhadas pelo chão da escola.

Thongchai Thanakat, mototaxista que trabalha em frente ao estabelecimento de ensino há cerca de duas décadas, descreveu uma cena de pânico. À AFP, ele relatou ter visto centenas de estudantes correndo para fora do colégio, alguns sem sequer terem tempo de calçar os sapatos.

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O homem afirmou ter ficado profundamente abalado ao presenciar o corpo de um aluno morto durante o ataque. "É realmente muito triste", resumiu.

O primeiro-ministro da Tailândia, Anutin Charnvirakul, classificou o massacre como "um incidente terrível" e afirmou que a tragédia jamais deveria ter acontecido. O chefe de governo também ressaltou que o país mantém regras restritivas para a posse de armas de fogo e era esperado no local ainda nesta sexta-feira para acompanhar a situação e prestar solidariedade às famílias das vítimas.

País tem alta circulação de armas

Apesar de possuir uma legislação relativamente rigorosa para a compra e o porte de armas de fogo, a Tailândia tem cerca de 10 milhões de armas de fogo em circulação, o que representa uma arma para cada sete habitantes.

Nos últimos anos, as promessas políticas de endurecer a legislação não impediram a repetição de tiroteios. Em fevereiro, um adolescente abriu fogo em uma escola no sul da Tailândia, matou o diretor da instituição e feriu dois alunos antes de ser detido. 

Em 2022, um ex-policial armado com uma pistola e uma faca matou 24 crianças e 12 adultos em uma creche no norte do país.

Com AFP

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