Cuba adverte que ação militar dos EUA causaria "banho de sangue" após reportagem sobre drones

18 mai 2026 - 11h41
(atualizado às 13h49)

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse nesta ‌segunda-feira que qualquer ação militar dos EUA contra Cuba levaria a um "banho de sangue" com consequências incalculáveis para a paz e a estabilidade da região.

Presidente cubano Miguel Díaz-Canel em Havana
 16 de abril de 2026    REUTERS/Norlys Perez
Presidente cubano Miguel Díaz-Canel em Havana 16 de abril de 2026 REUTERS/Norlys Perez
Foto: Reuters

"Cuba não representa uma ameaça", afirmou Díaz-Canel em um post no X.

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Os comentários vêm na sequência de uma reportagem do site Axios publicada ⁠no domingo, citando informações confidenciais, que dizia que Cuba havia adquirido mais ‌de 300 drones militares e discutido planos para usá-los para atacar a base naval dos EUA na Baía de Guantánamo, navios militares ‌dos EUA e Key West, na Flórida.

Nas ruas ‌de Havana, alguns moradores disseram que resistiriam a qualquer ataque, ⁠apesar das profundas dificuldades econômicas da ilha.

"Sei que Cuba é um país forte. Os cubanos são muito corajosos e não vão nos encontrar despreparados", disse Sandra Roseaux, 57 anos. "Se eles vierem, terão de lutar, porque Cuba responderá. Meu país, com fome ou como quer que seja, responderá. ‌É melhor que eles não venham, porque haverá uma luta."

Cuba, inimiga comunista ‌de Washington há gerações, ⁠está sob crescente ⁠pressão desde que os Estados Unidos cortaram seu fornecimento de energia após a prisão ⁠do presidente da então aliada ‌Venezuela em janeiro. Nas últimas ‌semanas, o combustível se esgotou e a eletricidade está disponível apenas por uma ou duas horas por dia.

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As tensões entre os dois países aumentaram muito nos últimos dias. A Reuters informou na semana ⁠passada, citando fontes do Departamento de Justiça dos EUA, que os promotores planejavam indiciar o ex-líder cubano Raúl Castro, 94 anos, pelo abate de dois aviões operados por um grupo humanitário em 1996.

O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, em ‌uma postagem separada, disse que Cuba, "como todas as nações do mundo", tem o direito à legítima autodefesa contra agressões externas, de acordo com ⁠a Carta da ONU e o direito internacional. 

Ulises Medina, 58 anos, morador de Havana, pediu negociações. "Não seria correto que os Estados Unidos invadissem Cuba, nem que Cuba invadisse os Estados Unidos", disse ele. "Eles precisam chegar a um acordo, conversar e negociar. Cuba, em qualquer caso, se defenderá porque o país não se renderá."

Um indiciamento de Raúl Castro -- irmão do falecido ex-líder Fidel Castro e herói da Revolução Cubana de 1959 -- marcaria uma grande escalada na pressão sobre Cuba por parte do governo Trump.

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"O povo cubano não permite que ninguém interfira em suas terras", disse Jorge Villalobos, 87 anos. "Os cubanos sabem como se defender, mesmo com paus e pedras."

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