Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel
Apesar de acusações de violações entre as partes e da fragilidade da situação, a guerra parou.
O plano de Trump para a Faixa de Gaza tem metas importantes, como a desmilitarização do território, a retirada das tropas israelenses, a introdução de uma Força Internacional de Estabilização (ISF, em inglês), o desarmamento do Hamas e a reconstrução de Gaza.
Segundo uma fonte com a qual a RFI conversou, uma das principais dúvidas em Israel é em relação ao momento em que cada uma dessas metas passará a ser cumprida. Ou seja, se cada um desses passos será dado de forma escalonada - e em qual ordem - ou se todos eles vão ocorrer ao mesmo tempo.
Arábia Saudita, Argentina, Turquia, Egito, Jordânia, Indonésia, Paquistão, Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Albânia, Armênia, Azerbaijão, Belarus, Hungria, Israel, Cazaquistão, Kosovo, Marrocos e Vietnã aceitaram o convite de Donald Trump para integrar a entidade.
Segundo a Associated Press, um oficial da Casa Branca disse que a expectativa é que cerca de 30 países façam parte do Conselho. Até agora, cinquenta foram convidados pelos Estados Unidos.
Palestinos e a expectativa sobre o governo de transição
O Conselho da Paz tem como documento a cumprir o plano de 20 pontos de Trump. O item 19 do plano determina que "à medida que o processo de reconstrução de Gaza avança e o programa de reformas da Autoridade Palestina é implementado, as condições poderão finalmente estar reunidas para um caminho possível rumo à autodeterminação e à formação de um Estado palestino, que reconhecemos como a aspiração do povo palestino".
No item seguinte, os Estados Unidos se comprometem "a estabelecer um diálogo entre Israel e os palestinos para que concordem sobre um horizonte político para coexistência próspera e pacífica".
A questão desses dois itens é que não há prazos para que eles aconteçam. Não há cronogramas específicos nem a divisão desses objetivos em metas mais palpáveis.
Neste momento, a expectativa mais imediata da população em Gaza é sobre a atuação do governo de 15 tecnocratas palestinos que também é resultado do plano de Trump. Este governo de transição, que deverá substituir o Hamas na administração do território, será supervisionado pelo Conselho da Paz.
No último domingo, famílias e clãs palestinos na Faixa de Gaza endossaram publicamente este governo de transição. A declaração de apoio ocorreu durante uma manifestação de solidariedade no Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, em Deir al-Balah, na região central de Gaza.
Uma da grandes questões que se apresenta ao Conselho da Paz é se ele será capaz de iniciar um movimento para desarmar o Hamas e, se isso acontecer, qual será a reação do grupo extremista palestino.
Governo israelense e o dilema do convite de Trump
A avaliação em Israel é similar a de boa parte da comunidade internacional; de que, por meio do Conselho da Paz, Trump está em busca de criar uma espécie de alternativa às Nações Unidas.
De acordo com a imprensa local, o primeiro-ministro Netanyahu decidiu aceitar o convite para participar da entidade cerca de 24 horas antes do anúncio oficial sobre a criação do mecanismo em Davos, na Suíça.
A decisão foi tomada após discussões intensas a partir de três pontos fundamentais:
Rejeitar o convite poderia causar algum embaraço ao presidente Trump e levar Israel a não ter influência no Conselho da Paz.
Agora, aceitar o convite - como de fato ocorreu - deixa claro que Israel vai sentar-se ao lado de Turquia, Catar e outros países com direito a voto em iguais condições para definir as decisões sobre o futuro da Faixa de Gaza e, no final das contas, sobre a segurança de Israel.
Ou seja, na prática Israel legitima as presenças de países como Turquia e Catar que o governo israelense havia deixado claro que não poderiam fazer parte das decisões sobre o chamado "dia seguinte" em Gaza.
Embora Israel tenha divulgado um comunicado público de que o país não foi consultado pelos EUA sobre os membros do Conselho da Paz, a informação da imprensa local é de que o texto foi redigido para servir como resposta interna aos membros da própria coalizão de governo, e não com o objetivo real de alterar as decisões do presidente Donald Trump.