Católicos da comunidade LGBT nos EUA têm esperança em Leão XIV

Gays esperam que Prevost continue o legado de Francisco

10 mai 2025 - 16h48
(atualizado às 18h00)

Católicos da comunidade LGBTQIA+ nos Estados Unidos veem a eleição do papa Leão XIV como um vislumbre de esperança de que ele dará continuidade ao legado de aceitação de Francisco.

Jorge Bergoglio abriu as portas para os fiéis homossexuais, e eles esperam que o novo pontífice continue a mover a Igreja Católica em direção à aceitação. Aos olhos de muitos católicos deste grupo, o falecido argentino criou uma "mudança sísmica" em relação ao tema.

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Agora, enquanto o mundo dá as boas-vindas ao recém-eleito Leão XIV, lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e queer nutrem a esperança de que a abertura seja mantida.

Marianne Duddy-Burke, diretora executiva do grupo católico de defesa LGBTQ DignityUSA, estava em Roma na última quinta-feira (8), quando o cardeal Robert Francis Prevost, um nativo de Chicago de 69 anos que possui cidadania americana e peruana, se tornou o novo pontífice.

"Na verdade, fiquei muito animada ao ver que o cardeal Prevost havia sido eleito papa Leão XIV e animada por ele estar adotando o nome de um papa enraizado na justiça social", disse ela.

"Acho que é um sinal claro para um mundo sofrido de que é aqui que sua energia será concentrada. Também encontrei muita esperança em seus comentários na sacada, onde ele falou do amor todo inclusivo de Deus, sem quaisquer condições, e onde ele falou sobre ser uma igreja para todo o povo de Deus", acrescentou Duddy-Burke.

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Jason Steidl Jack, um católico gay e professor assistente de estudos religiosos na Universidade St. Joseph, em Nova York, descreveu sua reação à eleição de Prevost, o primeiro americano a liderar a Santa Sé, como "cautelosamente otimista".

"Eu o vejo continuando o legado do papa Francisco, especialmente de diálogo e sinodalidade", afirmou o norte-americano, descrevendo a sinodalidade como "essa ideia de viajar juntos" e "ouvir uns aos outros".

Steidl Jack disse, porém, que a eleição do novo papa "não alivia todos os medos que tenho como católico LGBTQ". "O ensino da Igreja, mesmo sob o papa Francisco, continua incrivelmente homofóbico, e a Igreja continua a inventar novas maneiras de ser transfóbica, pois na verdade evita aprender sobre pessoas trans e suas experiências".

Segundo o professor, no entanto, o novo pontífice parece "aberto ao diálogo e à inclusão", dados seus comentários no dia de sua eleição no conclave.

Para Steidl Jack, Prevost parecia ter uma "mentalidade de guerreiro cultural" sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a representação LGBTQ na cultura pop em 2012, mas expressou esperança de que as opiniões do novo papa tenham mudado desde então.

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"Estou partindo do mundo que mudou desde 2012, até o papa Francisco mudou muito ao longo de seu pontificado", disse ele, enfatizando que espera "que o papa Leão XIV tenha ouvido os católicos LGBTQIA+". "Espero que ele esteja prestando atenção e crescendo, assim como Jorge Bergoglio, assim como o resto do mundo". 

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