Casos de Ebola no Congo passam de 10 mil

País contabiliza quase 5 mil mortes desde início da epidemia

27 out 2026 - 11h25
(atualizado às 11h36)
Resumo
A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo já superou 10 mil infecções e causou 4.887 mortes, tornando-se o segundo surto mais letal da história. Provocado pela cepa Bundibugyo e concentrado nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, o vírus também gerou casos em Uganda, Quênia e Nigéria. Sem tratamentos específicos para essa variante, autoridades de saúde investem no rastreamento de contatos, na vacina Ervebo e em testes clínicos conduzidos pela OMS para conter o avanço da doença.

O número total de casos de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou 10 mil, incluindo 4.887 mortes, desde que a epidemia foi declarada no país em 15 de maio, informaram nesta terça-feira (27) as autoridades congolesas.

Carpinteiros fabricam caixões em Bunia, em meio à epidemia de Ebola na RDC
Carpinteiros fabricam caixões em Bunia, em meio à epidemia de Ebola na RDC
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

De acordo com o mais recente relatório publicado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) da RDC, com dados coletados até 25 de outubro, foram registradas 10.060 infecções confirmadas, com uma taxa de letalidade de 48,6%.

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Além disso, 2.684 pacientes se recuperaram da doença até o momento, com taxa de rastreamento de contato com casos suspeitos ou confirmados em 81,6%.

O INSP ressaltou a necessidade de fortalecer a detecção precoce da doença, o rastreamento de contatos, a realização de sepultamentos seguros e dignos, bem como a segurança das equipes de resposta.

Segundo o documento, as províncias orientais de Ituri e Kivu do Norte são os territórios mais afetados no país, com 32 e 58 novos casos registrados nas últimas 24 horas, respectivamente.

No total, a epidemia afetou 66 zonas de saúde em oito das 26 províncias da RDC: Ituri; Kivu do Norte; Tshopo; Bas-Uélé; Haut-Uélé; Kivu do Sul; Ubangi do Sul; e Ubangi do Norte.

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O surto, tido como o segundo mais letal e mais contagioso da história mundial, já superou o que ocorreu no país entre 2018 e 2020, embora ainda esteja longe de ser o mais grave registrado até hoje - cerca de 11 mil mortes e 28 mil infecções foram confirmadas na África Ocidental entre 2014 e 2016.

A cepa Bundibugyo, responsável pela epidemia atual, não conta com tratamentos específicos; no entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem trabalhado em duas vacinas que já iniciaram a fase 1 de testes em humanos e que, até o momento, mostraram-se seguras ? embora seu desenvolvimento possa levar vários meses.

Paralelamente, a RDC iniciou, no final de agosto, uma campanha de imunização contra o Ebola utilizando a vacina Ervebo. Esta é a única vacina disponível em larga escala e, embora tenha sido desenvolvida, a princípio, para a variante Zaire do vírus ? a mais comum ?, ela apresentou resultados promissores contra a cepa Bundibugyo em testes com animais.

Na última sexta-feira (23), a OMS também informou o início de um ensaio clínico na RDC para avaliar diversos imunizantes em potencial contra essa cepa.

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A epidemia atual também se espalhou para o país vizinho, Uganda, onde a OMS declarou o fim do surto em 26 de agosto, após o registro de 20 casos confirmados ? sendo 15 importados da RDC, com dois óbitos.

Além da RDC e de Uganda, foram detectados casos relacionados ao surto congolês em outros dois países africanos: Quênia (nove casos, incluindo dois óbitos) e Nigéria (um caso).

O vírus Ebola é transmitido por meio de contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, causando febre hemorrágica grave, vômitos, diarreia e hemorragia interna.

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