O governo brasileiro convocou a encarregada de negócios da Argentina, María Emilia Cortés, para cobrar explicações sobre a fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA via Puerto Iguazú. A ação decorre de relatório policial que flagrou Santiago Caputo, assessor de Javier Milei, em carro diplomático perto do aeroporto antes do embarque. O episódio amplia suspeitas de apoio argentino na operação e eleva a tensão bilateral, desgastada desde que Milei ofendeu Lula ao participar de ato com Flávio em julho.
O governo brasileiro convocou oficialmente, nesta sexta-feira (30), a encarregada de negócios da Embaixada da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, para prestar esclarecimentos sobre as circunstâncias que envolveram a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos.
Segundo fontes, a diplomata foi recebida pelo embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, chefe do Departamento da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores.
Durante uma breve reunião, representantes brasileiros solicitaram explicações sobre as condições que permitiram o embarque de Flávio e sua família em uma aeronave particular no aeroporto de Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil.
A convocação ocorre após a divulgação de um relatório elaborado por uma patrulha da Polícia Provincial de Misiones. O documento registra a abordagem, por volta das 2h da madrugada de 29 de outubro, de um veículo com placas diplomáticas nas proximidades do aeroporto.
De acordo com o relatório, estavam no automóvel Santiago Caputo, assessor e estrategista de comunicação do presidente argentino Javier Milei, e o chefe de segurança da usina hidrelétrica binacional de Yacyretá. Fontes policiais também relataram que um dos ocupantes teria se identificado como agente da agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA).
A presença de integrantes ligados ao governo argentino e a referência a um suposto agente norte-americano ampliaram os questionamentos sobre um possível envolvimento de autoridades estrangeiras na operação que antecedeu a fuga de Flávio Bolsonaro.
Outro ponto de tensão envolve um comunicado divulgado pelas autoridades migratórias argentinas na manhã de 28 de outubro.
Na ocasião, o governo de Buenos Aires afirmou que havia realizado verificações na aeronave particular e em sua tripulação, constatando que a documentação da empresa estava regular. Também declarou que não havia sido apresentado um plano de voo que incluísse a família Bolsonaro.
A manifestação oficial passou a ser questionada diante das informações posteriores sobre a movimentação de autoridades e agentes nas proximidades do aeroporto de Puerto Iguazú.
A convocação de María Emilia Cortés acontece em um momento de desgaste nas relações entre Brasília e Buenos Aires.
A diplomata está à frente da missão argentina no Brasil desde julho, quando o governo brasileiro decidiu reduzir o nível de representação diplomática entre os dois países, que passou a ser chefiada por uma encarregada de negócios.
A medida ocorreu após a visita de Javier Milei ao Brasil para participar de um ato político em apoio a Flávio Bolsonaro. Na ocasião, o argentino dirigiu ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de "corrupto" e "criminoso".