Beirute descarta conversas com Netanyahu por enquanto; Paquistão diz que paz no Líbano é vital

16 abr 2026 - 11h16

O presidente ‌do Líbano não falará com o primeiro-ministro de Israel no futuro próximo, disseram autoridades libanesas na quinta-feira, desferindo um golpe nos esforços dos EUA para expandir os contatos entre os Estados inimigos, enquanto o Paquistão disse que a paz no Líbano é vital para acabar com a guerra do Irã.

A guerra entre EUA e Israel contra o Irã se estendeu ao Líbano em ⁠2 de março, quando o Hezbollah, apoiado pelo Irã, abriu fogo em apoio a Teerã, provocando uma ‌ofensiva israelense no Líbano apenas 15 meses após o último grande conflito.

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"A paz no Líbano é essencial para as negociações de paz (com o Irã)", disse Tahir Andrabi, porta-voz do Ministério das ‌Relações Exteriores do Paquistão.

O gabinete de segurança israelense se reuniu ‌na noite de quarta-feira para discutir um possível cessar-fogo no Líbano.

O presidente Donald Trump ⁠disse no Truth Social que estava tentando criar "um pouco de espaço para respirar" entre Israel e o Líbano, acrescentando que líderes dos dois países não se falam há cerca de 34 anos e "isso acontecerá amanhã", em um post publicado na noite de quarta-feira em Washington.

No entanto, três autoridades libanesas disseram à Reuters nesta quinta-feira que o presidente Joseph Aoun não terá uma conversa com ‌o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em um futuro próximo.

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Duas das autoridades libanesas disseram que a embaixada libanesa ‌em Washington havia informado o governo ⁠dos EUA sobre a ⁠posição antes de um telefonema entre Aoun e o secretário de Estado Marco Rubio na quinta-feira.

Uma breve nota ⁠da Presidência libanesa informou que Aoun agradeceu a Rubio ‌pelos esforços dos EUA para ‌alcançar um cessar-fogo no Líbano.

LÍBANO BUSCA CESSAR-FOGO ANTES DE NEGOCIAÇÕES

O governo libanês está em forte desacordo com o Hezbollah sobre sua decisão de entrar na guerra, tendo passado o último ano tentando garantir o desarmamento pacífico do grupo fundado pela Guarda Revolucionária do Irã em ⁠1982.

Beirute proibiu as atividades militares do Hezbollah em 2 de março.

Os embaixadores de Israel e do Líbano mantiveram raras conversações em Washington na terça-feira, mas o contato entre Netanyahu e Aoun seria um marco importante nos laços entre os dois países, que permanecem em estado de guerra desde a criação de Israel em 1948.

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O Hezbollah se ‌opõe aos contatos entre Líbano e Israel.

Mais cedo, Gila Gamliel, membro do gabinete de segurança de Israel, disse à Rádio do Exército de Israel que Netanyahu "falaria pela primeira vez com o ⁠presidente do Líbano depois de tantos anos sem contato entre os dois países".

Aoun havia dito no início da guerra que estaria aberto a conversações diretas, mas a posição do Líbano é que um cessar-fogo deve preceder as negociações.

Em um comunicado na quinta-feira, ele disse que um cessar-fogo seria o "ponto de entrada natural para negociações diretas" com Israel.

Aoun, que comandou as Forças Armadas libanesas apoiadas pelos EUA antes de se tornar presidente no ano passado, disse que a retirada de Israel seria um "passo fundamental para consolidar o cessar-fogo" para que as tropas libanesas pudessem se deslocar para o sul.

Os combates continuam no sul do Líbano, principalmente na cidade fronteiriça libanesa de Bint Jbeil, um reduto do Hezbollah e um prêmio estratégico, que Netanyahu disse na quarta-feira que os militares israelenses estavam prestes a "superar".

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