Avalanche no Nepal e Tibete deixa cerca de 100 peregrinos desaparecidos; entenda a fé na 'montanha proibida'

Considerado um local sagrado para o hinduísmo, o Monte Kailash recebe milhares de peregrinos em busca de uma conexão espiritual

27 ago 2026 - 11h43
Seguidores do hinduísmo costumam viajar ao Monte Kailash, considerado a morada de Shiva e de outros deuses da religião
Seguidores do hinduísmo costumam viajar ao Monte Kailash, considerado a morada de Shiva e de outros deuses da religião
Foto: Wikimedia Commons

Indianos estão entre a maior parte dos mais de 500 estrangeiros que estão desaparecidos após a avalanche que atingiu o Nepal e o Tibete nesta quarta-feira, 24. Muitos deles estavam na região para participar de uma peregrinação religiosa que reúne milhares de seguidores do hinduísmo: a viagem ao Monte Kailash, considerado a morada de Shiva e de outros deuses da religião.

Localizado no Tibete, o Monte Kailash fica a aproximadamente 100 km da fronteira entre China e Nepal. A montanha tem 6.638 metros de altitude em seu ponto mais elevado. Embora expedições tenham tentado alcançar o cume nas décadas de 1920 e 1930, não há registros de que alguém tenha conseguido chegar ao topo do Monte Kailash. Atualmente, a China proíbe escaladas na montanha, em razão da importância religiosa atribuída ao local.

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Uma das principais rotas de peregrinação ao Monte Kailash passa pelo Nepal e inclui áreas atingidas pela avalanche. Os viajantes seguem até Rasuwa, de onde atravessam a fronteira entre Nepal e China pelo posto de Rasuwagadhi. Já em território chinês, a jornada prossegue pela região de Gyirong, antes de seguir em direção ao Monte Kailash.

Em entrevista ao New York Times, o iogue indiano conhecido como Sadhguru afirmou que 77 integrantes de grupos organizados por sua fundação estavam no centro de imigração na fronteira entre o Nepal e o Tibete quando a inundação atingiu a região. Segundo ele, até o momento não foi possível estabelecer contato com os integrantes do grupo.

Nas escrituras do hinduísmo, o Monte Kailash é relacionado a diferentes divindades. No épico Ramayana, cuja tradição remonta à Índia antiga desde o século V a.C., a montanha é descrita como morada do deus Shiva, de sua esposa, Parvati, e de seus filhos, entre eles Ganesha, a divindade representada com cabeça de elefante.

Para algumas tradições, o Monte Kailash é associado à origem espiritual do rio Ganges e ao Monte Meru, considerado o centro do universo. A região também recebe peregrinos que visitam a montanha e o lago Manasarovar, localizado a cerca de 35 km de sua base e igualmente considerado um lugar sagrado.

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Além do hinduísmo, o Monte Kailash e o lago Manasarovar têm significado sagrado para outras tradições religiosas, como o budismo tibetano, o jainismo e a religião bon, uma antiga tradição espiritual praticada no Tibete. Para os budistas, a montanha é também uma manifestação física do Monte Meru e teria sido um local de meditação do mestre Milarepa, que viveu no século XI d.C. Na tradição bon, acredita-se que o topo do Kailash seja a morada de 360 deuses.

No jainismo, religião indiana que tem a não violência como um de seus princípios centrais, o Monte Kailash é associado ao local onde o primeiro dos 24 "salvadores" da tradição teria alcançado a libertação do ciclo de mortes e reencarnações.

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Fonte: Portal Terra
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