Inundações repentinas na fronteira entre Nepal e Tibete deixaram mais de 300 mortos e centenas de desaparecidos de diversas nacionalidades. Especialistas apontam que uma avalanche de gelo e rochas represou e rompeu rios locais, gerando uma devastadora onda de lama que destruiu vilarejos e estradas na região do Himalaia. Enquanto equipes realizam buscas em áreas de difícil acesso, autoridades do Nepal e da China coordenam os resgates, com oferta de assistência humanitária da Índia.
As inundações repentinas ocorridas na quarta-feira (26/08) na fronteira entre Nepal e Tibete deixaram centenas de mortos e desaparecidos.
As operações de busca e resgate estão em andamento.
Estima-se que centenas de pessoas estejam desaparecidas. Mais de 300 pessoas morreram, a maioria no Nepal.
Entre os desaparecidos, há pessoas de 28 nacionalidades diferentes. A área é bastante procurada por turistas que fazem trilhas.
Até o momento, a principal hipótese é que uma avalanche de gelo tenha dado início a uma sequência de eventos.
Liz Stephens, professora de Risco Climático e Resiliência na Universidade de Reading, explica que grandes volumes de gelo e rocha podem ter aumentado o nível do rio e provocado uma forte elevação repentina da água.
A avalanche também pode ter bloqueado temporariamente o rio, formando uma espécie de barragem. Quando esta se rompeu, uma grande quantidade de água e sedimentos pode ter avançado rio abaixo.
O terreno difícil do Himalaia, inclusive no Tibete, seria o principal motivo para a ocorrência da avalanche.
Por isso, especialistas tentam analisar imagens de satélite, mas as nuvens de monções não têm ajudado muito desta vez, segundo eles.
Os cientistas estão tentando agora reconstruir a sequência dos acontecimentos.
Eles disseram que analisarão imagens de satélite para determinar a localização exata do deslizamento de terra, se algum lago glacial secou repentinamente e onde o rio pode ter sido bloqueado, além de dados sobre as precipitações recentes.
Uma avalanche de material avançou em direção às cidades do norte do Nepal, incluindo áreas populares entre turistas de montanha e peregrinos.
A fronteira fica a cerca de 64,4 quilômetros ao norte de Kathmandu, a capital do Nepal.
As imagens mostravam uma parede de lama e pedras destruindo edifícios, estradas e veículos, enquanto as pessoas fugiam na região de Nuwakot.
Foram relatadas graves inundações ao longo dos rios Bhote Koshi, Trishuli e Narayani.
Também foram registradas mortes em vilarejos do lado tibetano da fronteira.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, declarou que "toda a nação está chocada e profundamente entristecida" e que as autoridades coordenariam a resposta com a China.
O presidente chinês, Xi Jinping, pediu uma busca "em grande escala" e prometeu sistemas de monitoramento e alerta antecipado mais robustos para prevenir outros impactos.
Na vizinha Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi afirmou que seu governo estava "preparado para oferecer ao Nepal todo tipo de assistência humanitária possível".