Número de mortos aumenta e mais de 1.000 estão desaparecidos em Nepal e China após inundação no Himalaia

27 ago 2026 - 08h01
(atualizado às 08h41)
Resumo
Uma enchente devastadora no Himalaia, causada pelo colapso de gelo e rochas, deixou mais de mil desaparecidos e centenas de mortos na fronteira entre o Nepal e a China. A enxurrada de lama destruiu estradas e infraestruturas, atingindo muitos peregrinos e turistas estrangeiros. Tropas e equipes de resgate dos dois países mobilizam helicópteros para localizar sobreviventes isolados e recuperar corpos levados pela correnteza.

Equipes de resgate procuravam ‌sobreviventes nos vales e encostas repletos de escombros do Nepal nesta quinta-feira, enquanto mais de 1.000 pessoas estavam desaparecidas no país do Himalaia e na vizinha China, depois que uma parede de gelo, lama e rochas desabou em um rio de montanha, provocando uma enchente repentina catastrófica.

Autoridades do Nepal utilizaram helicópteros para procurar sobreviventes e lançar suprimentos de emergência a milhares de pessoas isoladas em cidades e vales, após o desastre de quarta-feira varrer uma estrada lotada de peregrinos que liga Catmandu a Lhasa, ⁠no Tibete.

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A polícia informou prever que o número de mortos ultrapassasse 270, com dezenas de corpos sendo levados para as planícies, ‌de onde estavam sendo recuperados.

O ministro do Interior do Nepal, Sudhan Gurung, disse que o foco continua sendo encontrar sobreviventes. Socorristas localizaram 100 visitantes indianos desaparecidos, em sua maioria peregrinos, e 25 trabalhadores chineses na região mais atingida, próximo a Trishuli. Mais ‌de 650 estrangeiros ainda estavam desaparecidos, enquanto as autoridades nepalesas ainda não ‌haviam determinado o número de moradores locais desaparecidos.

"Foi uma enorme torrente de lama vindo direto em nossa direção", disse ⁠Keshav Prasad Baral, um sobrevivente de 68 anos que está sendo tratado em um hospital nepalês.

"À medida que se aproximava, a lama subia cada vez mais. Quando vi que estava entrando em nossa casa, tentei pegar a mão da minha esposa e levá-la para o terraço. Mas ela foi levada pela lama."

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Um helicóptero o resgatou quatro horas depois. "Minha esposa ainda está em algum lugar sob a lama", acrescentou ele. "Ela se foi."

O número de desaparecidos no condado de Gyirong, no Tibete, era de 558, informou ‌na quinta-feira a emissora estatal chinesa CCTV, incluindo 260 estrangeiros. A China afirmou que o número de mortos permanecia em três.

Os estrangeiros ‌desaparecidos nas duas regiões eram de mais ⁠de duas dúzias de países, incluindo ⁠288 da Índia, 63 dos Estados Unidos, 51 da Malásia, 34 da Austrália, 33 do Reino Unido e 25 do Canadá.

CORPOS RECUPERADOS NAS ⁠PLANÍCIES

A China mantém estreita comunicação com o Nepal sobre os esforços de ‌busca e resgate, com quase 100 cidadãos ‌chineses na área afetada do outro lado da fronteira, no Nepal, informou o Ministério das Relações Exteriores chinês.

O primeiro-ministro da China, Li Qiang, segunda autoridade do país, chegou ao local do desastre em Gyirong na tarde de quinta-feira, informou a agência de notícias estatal Xinhua.

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A visita surpresa, que não havia sido anunciada com antecedência, sinalizou que Pequim está ⁠tratando o desastre como uma questão de máxima prioridade nacional.

Vídeos confirmados mostraram enormes massas de água e detritos arrastando dezenas de pessoas em um posto de fronteira em Gyirong, com casas, estradas e projetos de energia elétrica sendo levados pela correnteza no Nepal à medida que as águas desciam o rio.

Ganesh Aryal, administrador do distrito de Chitwan, disse que as autoridades recuperaram 103 corpos do sistema fluvial em seu distrito, que fica a cerca ‌de 100 km nas planícies da região mais atingida de Trishuli.

Como os hospitais locais não tinham capacidade para acomodar todos os corpos, as autoridades distritais estavam montando tendas e também tomando providências para as famílias que deveriam chegar para reclamar seus ⁠parentes falecidos, afirmou ele.

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Mais de 5.000 membros do Exército e da polícia se juntaram aos esforços de busca, que resgataram 125 pessoas na quinta-feira, incluindo 20 estrangeiros, disse Raja Ram Basnet, porta-voz do Exército do Nepal.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, partiu por estrada para avaliar a situação da enchente em um dos distritos mais afetados, Nuwakot, informou seu gabinete nas redes sociais.

Relatos iniciais de autoridades nepalesas sugeriram que um terremoto na região poderia ter causado o desmoronamento da parte inferior de uma geleira, provocando a enchente.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou que um terremoto com magnitude inicialmente relatada como 4,4 foi, na verdade, energia sísmica gerada pelo colapso de rochas e gelo da geleira, seguido por um fluxo de detritos.

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Autoridades chinesas identificaram riscos associados a um lago represado em Gyirong — situado a montante da passagem de fronteira entre o Tibete e o Nepal, que foi atingida por deslizamentos de lama e inundações —, o que poderia complicar os esforços de resgate, especialmente com a previsão de chuvas, informou a CCTV.

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