Ataques na fronteira agravam deterioração nas relações entre Paquistão e Afeganistão

O Paquistão anunciou no domingo (22) que realizou ataques aéreos contra grupos armados na fronteira com o Afeganistão, matando "mais de 80" pessoas. O Ministério da Defesa afegão também relatou "dezenas de civis mortos e feridos". Islamabad justificou a ofensiva citando "ataques suicidas recentes", incluindo um contra uma mesquita no início de fevereiro.

22 fev 2026 - 13h06

O Exército paquistanês "realizou ataques direcionados, com base em informações de inteligência, contra sete campos e esconderijos de terroristas pertencentes ao Talibã paquistanês" (TTP), informou o Ministério da Informação em comunicado.

O texto acrescenta que o Exército também teve como alvo um grupo afiliado à organização jihadista Estado Islâmico, sem especificar onde os ataques ocorreram. Uma fonte de segurança paquistanesa afirmou que "mais de 80" pessoas foram mortas, número que pode aumentar.

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O porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid, declarou no X que o Paquistão "bombardeou civis nas províncias de Nangarhar e Paktika (leste do Afeganistão), matando e ferindo dezenas de pessoas, incluindo mulheres e crianças".

"Os generais paquistaneses estão tentando compensar as fragilidades de segurança do país com esses crimes", denunciou.

O Ministério da Defesa afegão também afirmou que "dará uma resposta apropriada e calculada" aos ataques paquistaneses.

Segundo a polícia local, os bombardeios começaram por volta da meia-noite de sábado e atingiram três distritos.

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"Civis foram mortos. Em uma casa, 23 membros da mesma família foram soterrados sob os escombros; 18 morreram, e cinco feridos foram resgatados", disse o porta-voz da polícia, Sayed Tayeeb Hammad.

Aliados de longa data, Paquistão e Afeganistão vêm se confrontando esporadicamente desde que o Talibã assumiu o controle de Cabul, em 2021. Islamabad acusa o país vizinho de abrigar militantes que lançam ataques contra seu território — acusação que o governo afegão nega.

As relações se deterioraram drasticamente nos últimos meses, culminando em um confronto armado sem precedentes em meados de outubro.

Apelo à comunidade internacional contra Cabul

Segundo o governo paquistanês, os ataques anunciados na manhã de domingo foram ordenados após atentados recentes no noroeste do país, além de um ataque suicida que matou 40 pessoas em 6 de fevereiro, durante orações em uma mesquita xiita em Islamabad. Este último, reivindicado pelo Estado Islâmico, foi o mais mortal na capital desde 2008.

Embora o Paquistão seja um país predominantemente sunita, os xiitas representam entre 10% e 15% da população e já foram alvo de ataques no passado.

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Islamabad afirmou no domingo que as autoridades talibãs, apesar dos alertas, não tomaram medidas contra grupos armados que operam em território afegão.

"O Paquistão sempre se esforçou para preservar a paz e a estabilidade na região, mas, ao mesmo tempo, a segurança de nossos cidadãos continua sendo nossa principal prioridade", declarou o governo, apelando à comunidade internacional para que pressione Cabul.

Segundo relatório da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA), publicado em 8 de fevereiro, "durante os últimos três meses de 2025, 70 civis foram mortos e 478 ficaram feridos no Afeganistão em ações atribuídas às forças paquistanesas". Os confrontos mais violentos entre os dois países vizinhos, em outubro, resultaram na morte de 47 civis afegãos, incluindo nove em 15 de outubro, em Cabul.

Com AFP

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