Ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza mataram quatro pessoas nesta quarta-feira, incluindo um jornalista da Al Jazeera, informaram as autoridades de saúde locais e a rede de televisão do Catar.
O ataque que matou Muhammad Washah, da Al Jazeera, teve como alvo um veículo onde ele e um outro palestino, que também foi morto, estavam, ao longo da estrada costeira na Cidade de Gaza, disseram as autoridades de saúde.
Em fevereiro de 2024, no auge da guerra de Israel em Gaza, o Exército acusou Washah de integrar a ala militar do Hamas. Foram divulgadas fotos que, segundo os militares, mostravam-no operando sistemas de armas. O Exército diz ter encontrado as fotos em um computador que, afirma, foi confiscado pelas tropas durante uma incursão em Gaza.
Na época, o Hamas e a Al Jazeera negaram que Washah tivesse qualquer afiliação com o grupo. As Forças Armadas de Israel não responderam imediatamente a um pedido de comentário sobre sua morte.
A Al Jazeera, que também não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, informou em seu canal de TV em árabe que ele foi morto em um ataque de drone.
O escritório de mídia do governo do Hamas em Gaza condenou a morte de Washah.
OUTROS DOIS MORTOS
Em um incidente separado em Gaza, um ataque aéreo israelense matou duas pessoas no centro da Faixa de Gaza, disseram fontes médicas sem fornecer detalhes. Não houve comentário imediato do Exército israelense sobre o incidente.
Israel e Hamas chegaram a um acordo com a intermediação dos EUA em outubro passado, com o objetivo de interromper a violência no território palestino. Os dois lados acusam-se mutuamente de violar o acordo.
Disparos israelenses mataram pelo menos 700 pessoas desde que o acordo foi firmado. Israel afirma que quatro soldados foram mortos por militantes no mesmo período.
Israel já havia matado jornalistas da Al Jazeera em Gaza e na Cisjordânia ocupada.
Em agosto de 2025, o jornalista da Al Jazeera Anas Al Sharif foi morto junto com outros quatro colegas em um ataque aéreo israelense. Citando inteligência e documentos que não foram revelados, o Exército o acusou de chefiar uma célula militante do Hamas, alegações rejeitadas pela Al Jazeera.
Em maio de 2022, tropas israelenses mataram a tiros a jornalista da Al Jazeera Shireen Abu Akleh, cidadã norte-americana-palestina, enquanto ela cobria uma operação militar na cidade de Jenin, na Cisjordânia. O Exército declarou que uma investigação sobre o incidente concluiu que ela provavelmente foi morta por um disparo não intencional de suas forças.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas disse que documentou 223 jornalistas e profissionais da mídia mortos em Gaza, Líbano e Israel. Entre os mortos estavam jornalistas que trabalhavam para a Reuters.
A contagem inclui 210 palestinos mortos por Israel em Gaza, 11 mortos por Israel no Líbano e dois israelenses mortos no ataque liderado pelo Hamas em outubro de 2023, que deu início à guerra de Gaza, de acordo com o CPJ.
O CPJ diz que Israel não chegou a atribuir responsabilidades pelos assassinatos de jornalistas por seus militares. Um porta-voz das Forças de Defesa de Israel disse que o Exército tem como alvo apenas combatentes e instalações militares, evitando civis e jornalistas, e alertou que a permanência em zonas de combate ativo acarreta riscos inerentes, apesar dos esforços para minimizar os danos.
Os militares alegaram algumas vezes, sem fornecer provas verificáveis, que alguns jornalistas foram mortos por causa de suas ligações com o Hamas, o que suas organizações de notícias negam.