Ataques israelenses elevam número de deslocados no Líbano a 760 mil

Israel lançou novos ataques aéreos na terça-feira (10) contra os subúrbios do sul de Beirute, um reduto do Hezbollah pró-Irã, e contra áreas no sul do Líbano, elevando o número de deslocados para cerca de 760 mil pessoas. Segundo uma contagem divulgada pela agência de notícias estatal, que cita um relatório do governo, 570 pessoas foram mortas em todo o país em bombardeios israelenses desde 2 de março.

10 mar 2026 - 17h09

O balanço mais recente do governo libanês, divulgado na terça-feira, indica 759.300 deslocados, incluindo 122.600 abrigados em centros administrados pelo Estado. O total representa um aumento de 100 mil pessoas em apenas 24 horas, observou o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), em Genebra.

No vasto complexo da Cidade dos Esportes, em Beirute, um acampamento improvisado foi montado para abrigar famílias que fogem dos bombardeios.

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O Comitê Islâmico de Saúde, ligado ao movimento xiita libanês Hezbollah, informou na terça-feira que 15 membros de suas equipes de resgate foram mortos por ataques aéreos israelenses desde o início do conflito.

Na tarde de terça-feira, bombardeios atingiram novamente os subúrbios do sul da capital, alvo de ataques incessantes há nove dias. Imagens da AFPTV mostraram uma coluna de fumaça subindo do bairro, que normalmente abriga entre 600 mil e 800 mil habitantes. A população fugiu em massa após uma ordem de evacuação emitida pelo Exército israelense na semana passada.

Israel também realizou um ataque no sul do Líbano, perto da cidade costeira de Tiro, após alertar que visaria a infraestrutura do Hezbollah na região e pedir que a população deixasse o local.

Alertas de bombas

O Exército israelense emitiu diversos avisos de ataques para moradores de uma vasta área no sul do Líbano — da fronteira até o rio Litani, cerca de 30 quilômetros ao norte — solicitando que abandonassem a região.

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"Passamos dois ou três dias debaixo de uma ponte, até que liberassem o lugar", relatou Malak Jaber, que fugiu de Nabatieh, perto da fronteira com Israel, com seus três filhos e agora está na Cidade dos Esportes.

"Minha casa foi bombardeada ontem. Se eu quiser voltar, terei de começar tudo de novo", disse a mulher de 35 anos.

Os últimos moradores da cidade cristã de Rmeich, na fronteira com Israel, que haviam desobedecido aos avisos israelenses foram retirados na terça-feira por forças de paz da ONU, segundo uma fonte da organização.

A representante do ACNUR no Líbano, Karolina Lindholm Billing, alertou em Genebra que "o número de deslocados continua a aumentar". "A maioria fugiu às pressas, quase sem nada, e está buscando refúgio em Beirute, no Monte Líbano, no norte do país e em partes do Vale do Bekaa", explicou. O leste do Vale do Bekaa — um reduto do Hezbollah próximo à fronteira com a Síria — também vem sendo bombardeado pelo Exército israelense.

Na terça-feira, o presidente libanês, Joseph Aoun, e o presidente sírio, Ahmad al-Sharaa, concordaram em "controlar melhor" a fronteira entre os dois países, anunciou a presidência em Beirute. A Síria denunciou disparos de artilharia do Hezbollah em direção a seu território durante a noite.

Com AFP

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