Depois de informar, na segunda-feira (6), que um primeiro navio-tanque havia sido atingido por um projétil não identificado, a UKMTO registrou outros dois incidentes nesta terça-feira. Um deles envolveu outra embarcação atingida em circunstâncias semelhantes. No outro caso, um navio foi atacado por um drone de origem desconhecida.
O Catar identificou a primeira embarcação como o Al-Rakayyat, um de seus navios de transporte de gás natural liquefeito (GNL), e condenou o que classificou como um "ataque inaceitável", atribuindo ao Irã total responsabilidade pelo episódio.
Nos três casos, a UKMTO informou que não houve feridos nem danos ambientais.
Os preços do petróleo subiram nesta terça-feira após as notícias de que três embarcações foram atacadas em um intervalo de 24 horas no Estreito de Ormuz, que havia sido recentemente reaberto à navegação.
"A retomada dos ataques à navegação comercial no Estreito de Ormuz" reacendeu "preocupações sobre o abastecimento global de energia e lançou dúvidas sobre a durabilidade do acordo entre Estados Unidos e Irã", afirmou Axel Rudolph, analista da IG.
Após abrir o pregão em alta, o barril do petróleo Brent do Mar do Norte para entrega em setembro avançou 2,44%, encerrando a tarde em Paris cotado a US$ 73,75 (cerca de R$ 400).
Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), com entrega prevista para agosto, subiu 2,38%, para US$ 70,18 (cerca de R$ 380).
"No entanto, os preços permaneceram próximos dos menores níveis registrados desde fevereiro", observou Rudolph, citando as expectativas de aumento da oferta global e a decisão da Arábia Saudita de reduzir os preços do petróleo bruto para compradores asiáticos.
"A liberação de reservas estratégicas de petróleo e a demanda fraca da China desde o início da guerra com o Irã provocaram excesso de oferta em alguns mercados-chave", afirmou Ipek Ozkardeskaya, analista da Swissquote.
Segundo ela, "navios-tanque que aguardavam há meses para deixar o Estreito de Ormuz agora estão navegando em busca de compradores".
Navegação afetada
A navegação comercial na região vem sendo fortemente afetada pelo conflito no Oriente Médio desde 1º de março, quando o Irã fechou essa rota marítima estratégica em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, enquanto Washington mantinha um bloqueio aos portos iranianos.
O tráfego marítimo foi retomado após a assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerã, em 17 de junho, para encerrar o conflito.
Apesar disso, o Irã afirma, mesmo diante da oposição dos Estados Unidos, que não pretende restabelecer a situação anterior à guerra, quando a passagem pelo Estreito de Ormuz era gratuita.
Com AFP