Após ultimato de Trump, Teerã espera obter um acordo 'rápido' sobre programa nuclear

Teerã e Washington esperam obter um compromisso sobre o programa nuclear iraniano, apesar das trocas de ameaças militares entre os dois países. Nesta sexta-feira (20), o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, disse esperar um acordo "rápido" com os Estados Unidos, após uma nova rodada de negociações indiretas realizada em Genebra na terça-feira (17).

21 fev 2026 - 11h36
(atualizado às 11h51)

Siavosh Ghazi, correspondente da RFI em Teerã

Abbas Araghchi, chanceler do Irã, em Genebra, onde ocorreu a a segunda rodada de negociações com os EUA sobre o programa nuclear iraniano, na terça-feira (17).
Abbas Araghchi, chanceler do Irã, em Genebra, onde ocorreu a a segunda rodada de negociações com os EUA sobre o programa nuclear iraniano, na terça-feira (17).
Foto: AFP - VALENTIN FLAURAUD / RFI

O Irã busca alívio das sanções econômicas, enquanto os EUA querem garantias de que o programa nuclear do país tenha fins pacíficos. Os americanos suspeitam que o objetivo do Irã seja obter a bomba atômica, mas a questão do enriquecimento de urânio não foi discutida durante as conversas em Genebra, afirmou o chanceler iraniano nesta sexta.

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O material radioativo enriquecido entre 3% e 5% é usado em usinas nucleares para gerar eletricidade. Enriquecido até 20%, pode ter aplicações médicas e, acima disso, o urânio em alto teor pode ser utilizado em projetos militares. O presidente americano, Donald Trump, disse que dará um prazo de dez a quinze dias para decidir se um compromisso com o Irã é possível. 

O ministro das Relações Exteriores iraniano afirmou que o país prepara uma proposta de acordo sobre a questão nuclear. "Ela estará pronta em poucos dias e poderemos iniciar negociações sérias com os americanos para chegar a um acordo", declarou. 

Segundo ele, uma solução rápida não significa ceder à pressão americana. "Isso é do interesse de ambas as partes", disse. Abbas Araghchi afirmou ainda que "quanto antes as sanções forem suspensas, melhor será para o Irã". Em contrapartida, o país apresentou uma série de projetos nos setores de petróleo, gás e mineração, além da compra de aviões da Boeing, na tentativa de flexibilizar a postura do governo americano. 

O chanceler iraniano também fez um alerta. "Estamos prontos para a diplomacia, mas também para a guerra". Nos últimos dias, as forças navais da Guarda Revolucionária fecharam o Estreito de Ormuz por cinco horas. A passagem é estratégica: por ela transita 20% do petróleo mundial. O Irã também reiterou ameaças contra bases americanas no Oriente Médio em caso de ataque, em carta enviada ao secretário-geral da ONU. 

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Trump menciona 'ataque limitado' 

Nesta sexta-feira, Trump disse a repórteres que considera um ataque militar limitado contra o país, mas não deu detalhes. O Wall Street Journal já havia citado essa possibilidade, que serviria para pressionar o Irã a encerrar seu programa nuclear. 

A presença das forças americanas no Oriente Médio aumentou nas últimas semanas. Imagens de satélite mostram que o porta-aviões USS Abraham Lincoln já está próximo do Irã e houve aumento no número de destróieres, navios de combate e caças americanos na região. O USS Gerald R. Ford, maior navio de guerra do mundo, deve chegar à área nas próximas três semanas. 

Desde a invasão do Iraque, em 2003, segundo vários especialistas, a presença militar americana na região não chegava a tal nível  — com a diferença de que, atualmente, Washington privilegia forças aéreas e navais e não parece mobilizar tropas terrestres significativas, observa Seth Jones, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em declaração à agência Associated Press (AP). 

*Com agências

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