O anúncio foi feito nesta segunda-feira (22) pelos mediadores do Catar e do Paquistão. As delegações do Irã e dos EUA se reuniram em um hotel de luxo nos Alpes suíços e alcançaram "progressos encorajadores", de acordo com o comunicado divulgado pelos dois países.
Entre as medidas, está um plano de ação que servirá de base para negociações técnicas. As conversas vão durar 60 dias e serão retomadas imediatamente, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Suíça, que mencionou avanços "construtivos".
Um dos principais pontos que serão discutidos na segunda etapa das discussões será a questão nuclear iraniana. No texto do memorando de entendimento já assinado pelos dois países na semana passada, o Irã promete que "não vai adquirir ou desenvolver armas nucleares".
O Irã afirmou nesta segunda que teve uma "discussão muito breve" com os Estados Unidos sobre o assunto. "Nenhum detalhe foi abordado, e não se pode dizer que as negociações sobre a questão nuclear tenham começado", declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï, à agência iraniana Irna.
A delegação americana "apresentou suas posições de forma muito sucinta" sobre o tema e o Irã fez o mesmo, acrescentou o porta-voz, que considerou as trocas como uma "apresentação de nossas posições" respectivas.
Canal de comunicação
Após o encontro no fim de semana, os representantes americanos e iranianos concordaram em uma criar um "canal de comunicação com o objetivo de garantir uma passagem segura para os navios comerciais no estreito de Ormuz", por onde passam cerca de 20% dos hidrocarbonetos mundiais.
O tráfego comercial deverá ser totalmente restabelecido dentro de 30 dias após a retiradas das minas do Estreito, segundo o acordo. Conforme a agência Bloomberg, três superpetroleiros, carregando seis milhões de barris, atravessaram a rota nesta segunda-feira a partir da ilha de Kharg rumo à região de Singapura, onde o petróleo costuma ser transferido para envio à China.
Esse volume se soma a cerca de 20 milhões de barris recentemente exportados a partir do porto de Chabahar, após a suspensão de um bloqueio americano sobre navios que operavam em portos iranianos.
Gestão de conflitos
Outra proposta anunciada nesta segunda após a reunião é a criação de um grupo, formado por iranianos, americanos e representantes do Líbano, que integrarão uma célula de gestão de conflitos. O objetivo é garantir "o fim das operações no Líbano", anunciaram os mediadores.
Teerã exige que o acordo final, ainda em discussão, também se aplique ao Líbano, mas Israel se apõe a essa condição. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o exército não se retiraria do sul do país. Mesmo assim, o chanceler iraniano, Abbas Araghtchi, declarou que houve "progressos significativos para pôr fim à guerra no Líbano".
O ministro das Relações Exteriores iraniano anunciou que "as exportações de petróleo e produtos petroquímicos já não estão restritas, o bloqueio foi levantado, parte dos ativos congelados foi liberada e um grande plano de reconstrução e desenvolvimento foi lançado", que deve atingir pelo menos US$ 300 bilhões, segundo o memorando.
Os Estados Unidos, cuja delegação é liderada pelo vice-presidente J. D. Vance, não reagiram imediatamente aos anúncios.
Tensão no fim de semana
Apesar da assinatura do memorando na semana passada, Teerã havia anunciado no sábado (20) o fechamento do estreito de Ormuz. O Irã acusou os Estados Unidos e Israel, que voltou a bombardear o Líbano, de não respeitarem o texto provisório assinado entre as duas partes.
O presidente americano, Donald Trump, ameaçou retomar os ataques. "Vocês não terão mais país", declarou ele no domingo, segundo a emissora Fox News. As Forças Armadas israelenses disseram ter respondido a disparos do Hezbollah, aliado do Irã no Líbano.
Com agências