Calor extremo atinge 35 milhões de pessoas na França e eleva temperaturas a 43°C

Depois de quase uma semana de calor extremo em algumas regiões, a onda que atinge a França se intensificou e já afeta cerca de 35 milhões de pessoas, com picos de até 43°C. Escolas fechadas, transporte afetado e mortes registradas evidenciam não só a gravidade do fenômeno, mas também as dificuldades do país em lidar com eventos climáticos cada vez mais extremos.

22 jun 2026 - 07h19
(atualizado às 07h22)
Menina aponta cartaz em escola de Paris que denuncia calor de 35°C nas salas de aula, em 18 de junho de 2026.
Menina aponta cartaz em escola de Paris que denuncia calor de 35°C nas salas de aula, em 18 de junho de 2026.
Foto: RFI

Esta segunda-feira (22) marca o momento mais crítico do episódio até agora, com temperaturas excepcionalmente altas durante o dia e à noite. Em cidades como Bordeaux, os termômetros podem alcançar 43°C, enquanto outras áreas registram máximas entre 36°C e 41°C, incluindo Paris, onde a previsão gira em torno dos 39°C. A expectativa é de que novos recordes sejam batidos antes de qualquer trégua, que, segundo os meteorologistas, não deve chegar antes do fim da semana.

Os impactos da onda de calor já alteram a rotina no país. Quase 2.000 escolas foram fechadas ou tiveram suas atividades reorganizadas devido ao calor excessivo em salas de aula sem refrigeração adequada. Professores relatam condições insustentáveis para alunos e funcionários.

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"Na semana passada, as crianças estavam em salas com 32°C, e vai piorar muito. Enquanto isso, o supermercado do outro lado da rua tem ar-condicionado. Parece normal para todo mundo", desabafou uma professora da região da Bacia de Arcachon (sudoeste), que preferiu não se identificar à AFP.

Treze mortos por afogamento

O calor extremo também tem provocado situações de risco. Desde o fim de semana, ao menos 13 pessoas morreram afogadas no mar ou em rios, segundo autoridades. O ressecamento da vegetação, por sua vez, elevou o risco de incêndios em diferentes regiões, especialmente no Oeste, no Centro e no Sudeste do país.

O sistema de transporte é outro setor sob pressão. As altas temperaturas afetam diretamente a infraestrutura ferroviária, aumentando o risco de falhas. Autoridades recomendam que pessoas mais vulneráveis evitem viajar durante esse período. Na região de Paris, onde o fluxo é mais intenso, são esperados atrasos, redução de serviços e cancelamentos.

Segundo a presidente da região de Île-de-France, Valérie Pécresse, o calor pode comprometer seriamente a circulação de trens. "Os trilhos não suportam temperaturas muito elevadas, o que pode causar muitas interrupções", afirmou. A companhia ferroviária SNCF já vem cancelando algumas linhas, especialmente as que utilizam equipamentos mais antigos, mais suscetíveis a falhas no sistema de ar-condicionado.

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Apesar dos transtornos, o governo afirma que a situação está sob controle e que medidas preventivas vêm sendo adotadas. O ministro dos Transportes, Philippe Tabarot, destacou que a maior parte da rede ferroviária continuou operando normalmente durante o fim de semana, embora reconheça limitações estruturais que só devem ser resolvidas nos próximos anos.

Imprensa expõe falhas na resposta à crise climática

A intensidade e a duração da atual onda de calor reacenderam o debate sobre a preparação da França diante das mudanças climáticas. Especialistas alertam que episódios como este tendem a se tornar mais frequentes e prolongados, mas o tema segue, segundo críticos, subestimado no debate político.

Parte da imprensa francesa também tem chamado atenção para essa lacuna. Em editorial, o Le Monde critica a falta de priorização da adaptação climática na agenda pública e política, destacando que, a menos de um ano das eleições presidenciais de 2027, o assunto ainda é tratado com negligência por muitos candidatos. Já o Libération aponta para uma resposta considerada insuficiente das autoridades diante da gravidade do fenômeno, destacando o impacto direto no cotidiano da população, especialmente entre os mais vulneráveis.

O jornal Le Figaro, por sua vez, tem se concentrado nos efeitos concretos da onda de calor, com reportagens sobre a pressão sobre serviços públicos, o risco de incêndios e os transtornos no transporte, enquanto veículos como Franceinfo enfatizam as consequências imediatas para a saúde e a segurança da população.

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A cobertura da imprensa também destacou como o cotidiano segue, mesmo sob condições extremas. O Le Parisien relatou que a tradicional Festa da Música, celebrada neste domingo (21) em Paris, ocorreu com temperaturas acima dos 35°C. Ainda assim, centenas de milhares de pessoas ocuparam as ruas da capital. A publicação ressaltou que, apesar da proibição do consumo de álcool em espaços públicos devido à onda de calor, a regra foi ignorada.

Segundo o diário, na madrugada de 21 para 22 de junho, as forças de segurança realizaram 154 prisões em toda a cidade, principalmente por roubo, agressões, posse de drogas e casos de violência sexual.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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