Em encontro com Donald Trump, o presidente chinês Xi Jinping defendeu a cooperação mútua para manter a inteligência artificial sob controle humano e evitar conflitos bilaterais. A reunião resultou na prorrogação da trégua comercial entre Estados Unidos e China até 10 de janeiro. Apesar do clima amigável simbolizado pelo envio de pandas a Atlanta, os líderes mantêm divergências regulatórias sobre a IA e tensões geopolíticas envolvendo Taiwan, o Irã e o comércio de produtos agrícolas.
Recebido pelo presidente americano Donald Trump com honras como desfile militar e sobrevoo de caças, Xi Jinping afirmou que os dois países compartilham uma "responsabilidade histórica" pelo progresso da humanidade e destacou a necessidade de evitar confrontos.
"Pequim e Washington devem fortalecer sua comunicação", declarou o líder chinês, que também pediu a manutenção de uma linha de ação capaz de "evitar qualquer conflito ou confronto" entre as duas nações.
Trump disse ter construído com Xi uma "amizade verdadeiramente grande", baseada no respeito mútuo e nos interesses dos dois povos.
Em uma publicação na rede Truth Social poucas horas antes do encontro, o presidente americano elogiou publicamente o líder chinês, descrevendo-o como "forte", "dinâmico" e "em melhor forma do que nunca".
Inteligência artificial
Um dos principais temas das conversas foi o futuro da inteligência artificial. Xi Jinping afirmou que China e Estados Unidos possuem tanto "a capacidade como a responsabilidade" de desenvolver a tecnologia mantendo-a "sob controle humano" e garantindo que seja utilizada em benefício da sociedade.
A declaração ocorreu após Trump indicar que pretendia discutir questões ligadas à chamada "superinteligência", expressão que o republicano vem utilizando para se referir aos avanços mais recentes da IA.
Diretores das principais empresas de IA, como Anthropic e OpenAI, pediram este tipo de regulamentação diante do avanço vertiginoso de suas próprias pesquisas.
Embora ambos tenham destacado a necessidade de cooperação, há divergências sobre a regulamentação do setor. Trump reforça sua preferência por uma abordagem de menor intervenção governamental, afirmando que pretende manter a política americana "exatamente como está". Segundo o presidente americano, essa posição seria compartilhada por Pequim.
Trégua comercial é prorrogada
No campo econômico, a principal novidade foi a confirmação, na quarta-feira (23), da extensão da trégua comercial entre os dois países até 10 de janeiro.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, informou que Washington e Pequim decidiram prolongar o acordo firmado em outubro de 2025, que congelou uma guerra tarifária e comercial que provocou fortes turbulências na economia mundial.
Apesar da renovação da trégua, Bessent observou que a China está atrasada no cumprimento de alguns compromissos, especialmente nas compras de produtos agrícolas americanos.
Tensões persistem em várias frentes
Washington e Pequim mantêm posições divergentes em assuntos como a situação de Taiwan, reivindicada pela China e apoiada militarmente pelos Estados Unidos e o acesso às reservas chinesas de minerais estratégicos. Os dois países também têm posições diferentes sobre conflitos internacionais, como a guerra no Oriente Médio e as relações com o Irã, parceiro próximo de Pequim.
O presidente chinês, Xi Jinping, apelou aos Estados-Unidos e ao Irã para resolverem suas diferenças "o mais rápido possível" pela voz da negociação, segundo declarações divulgadas pela agência de notícias estatal Xinhua.
Xi Jinping também exortou Donald Trump a ter "prudência" sobre a questão de Taiwan, segundo a mesma fonte.
Veículos de imprensa americanos citam fontes anônimas, segundo as quais Pequim forneceu a Teerã informação de inteligência para ataques contra tropas americanas.
"Nossas duas forças armadas devem manter um diálogo regular e melhorar os mecanismos de comunicação e prevenção de crises", propôs Xi.
Analistas não esperam anúncios significativos capazes de alterar o equilíbrio das relações bilaterais. O principal resultado concreto da visita continua sendo, até o momento, a extensão da trégua comercial.
Diplomacia dos pandas e jantar de gala
Para reforçar o tom amistoso, Xi Jinping anunciou que um casal de pandas-gigantes chegará nos próximos dias ao Zoológico de Atlanta. Os animais, tradicional instrumento da chamada "diplomacia dos pandas" chinesa, foram apresentados pelo líder asiático como um símbolo da amizade entre os dois países.
A agenda oficial inclui ainda um jantar de gala oferecido esta noite pela primeira-dama Melania Trump na Casa Branca. Entre os convidados estão personalidades de destaque do setor tecnológico americano, como Sam Altman, diretor-executivo da OpenAI, e o empresário Elon Musk.
A visita de Xi será concluída na manhã de sexta-feira com um chá para os dois casais presidenciais e uma visita aos Arquivos Nacionais, onde está guardada a Declaração de Independência dos Estados Unidos.
Este é o terceiro encontro entre Xi e Trump desde o retorno do republicano ao governo e poderá ser seguido por novas reuniões ainda este ano, durante as cúpulas da Apec e do G20.
Com agências